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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Amada Mãe Índia - Segunda Parte


O trem parece mudar de bitola, chacoalhando lenta e sistematicamente cada um de seus vagões, movendo e ajeitando os corpos dos passageiros sobre as camas de segunda classe, expondo as luzes das casas que beiram os trilhos e relaxando meu corpo mais profundamente, que vira pro lado e se encaixa perfeitamente na ideia de um eterno viajante que dorme em constante movimento, contente e inteiro num eterno balanço de ideias, aproveitando a pequena brisa que passa pelas janelas enferrujadas de uma locomotiva que lentamente chega na abafada Cochin. A parada é de alguns minutos.

Vendedores de água e omeletes invadem os corredores, mendigos se arrastam entre as camas e espantam as baratas com seus lenços de lapela, crianças pulam por cima dos mendigos em direção a banca de chicletes e refrigerantes na plataforma da estação. Camille continua seus cantos de Taizé, na cama acima da minha.

Camille viveu em Taizé muito antes da comunidade ser fundada no meio da segunda guerra mundial. Séculos antes, ainda na Idade Média, quando poucas pessoas habitavam a região. Passou uma vida inteira meditando e fazendo práticas espirituais próximo a outros eremitas, criando a egrégora energética que possibilitou a formação da comunidade no século vinte.

Ele canta desde que saímos de Amritapuri ao entardecer. Alguns cantos são em latim, outros em árabe. Não deveriam talvez, mas os versos se encaixam perfeitamente entre as sobrancelhas manchadas de cinzas e os vestidos bregas estampados com geometria sagrada, das pessoas ao nosso redor. Faz pouco mais de duas horas que deixamos o ashram e já parecem dias. Mesmo o uso constante da chama violeta, queimando o trem para ambos os lados, por todas as classes, não conseguiu barrar as vibrações dos celulares que trazem para a minha mente a velha percepção do tempo.

O trem parte. Omeletes e garrafas de água pulam das portas dos vagões, alguns mendigos se esquecem de descer e algumas crianças se esquecem de subir. São lembradas pelos gritos zangados dos pais, que cospem os pedaços demasiadamente salgados das omeletes no chão e jogam algumas moedas a mais dentro de suas meias penduradas nos ventiladores de teto do trem, lembrando-se de ainda tê-las para as próximas paradas porém também esquecidos, de crescer. São poucas as pessoas que crescem na Índia, mas as que crescem se tornam muito, muito altas. Deve ser para criar um equilíbrio.

Mantenho a chama violeta acessa madrugada adentro, causando pequenas náuseas aos fumantes insones que balançam suas pernas pelas portas abertas e melhorando sutilmente o gosto dos futuros birianis, ao queimar também os arrozais adjacentes de Tamil Nadu. Camille intercala cantos com meditações, ligando e desligando a trilha sonora sobre uma sonoplastia estrangeira que domina os campos e cidades lemurianas dos meus olhos fechados.

Descemos do trem em Katpadi junto com o sol nascente e subimos de ônibus para Tiruvanamalai antes das nuvens chegarem. Meu coração libera toda a tensão da viagem ao avistar Arunachala. Ah, Arunachala... estamos de volta ao doce lar do espírito!

Montamos nosso acampamento em Athithi, ao lado de 3 sadhus que também visitam a região. Em momentos, mais 2 irmãos chegam de Amritapuri também atendendo ao chamado da sagrada montanha, e então somos 7 sanyasis nos revezando constantemente na ioga, meditação, cantos e mantras, orações e banhos frios de caneca. E também nas esteiras do refeitório, pois Athithi tem sem dúvida a melhor comida de Tiruvanamalai!

Sadhus acordam cedo, geralmente as 3 ou no máximo as 4 da manhã. As horas antes e durante o amanhecer são os momentos mais propícios para se fazer práticas espirituais. E também para explorar Arunachala. Coloco algumas nozes e tangerinas na bolsa, Camille leva a garrafa de água e partimos rumo ao pé da montanha, de dhoti e chinelos, sândalo e rudrakshas. Em silêncio.

Arunachala não sofreu nenhuma modificação geológica em milhares e milhares de anos, fato que foi recentemente comprovado por cientistas ocidentais. A montanha se manteve intacta através das muitas mudanças planetárias, sua vegetação e solo são muito antigos, sua energia é muito forte.

Dar a volta em Arunachala no sentido horário é considerado uma peregrinação das mais sagradas, o cumprimento de uma gloriosa oferenda, cada passo no caminho é abençoado pelos devas e munis, que destroem os pecados e purificam o peregrino, concedendo-lhe grandes méritos e abundante bem-aventurança.

Caminho com alegria e concentração, de lanterna apagada e cabeça erguida, confiante nas escolhas de Camille que nos lidera entre as espinhentas trilhas do sopé do corpo de Shiva. Logo chegamos a uma grande pedra que marca o caminho circular em torno da montanha, encostamos nossas cabeças na pedra, repetimos nossos mantras e pedimos a benção de Deus para os nossos passos, pensamentos e silêncio.

Há uma enorme conglomeração de seres benévolos aqui e a medida em que caminhamos sinto diferentes áureas por detrás das árvores, na beira das águas, e atrás de nós na trilha. Viro para trás a toda hora, tentando reconhecer quem está nos seguindo. Se tem alguém falando comigo. Palavras que desconheço materializam-se em meu campo mental e versos de famosos cantos que costumo cantar de repente adquirem novas acentuações e junções de vogais, emanados agora em uma nova língua que nunca ouvi antes.

Aruná Chalashiva Aruná Chalashiva Aruná Chalashi Varunachalá Aruná Chal Ashiva Aruná Chal Ashiv Aruniá Chal Ashi Varu Nachialá

Sinto toques em meus braços, um profundo êxtase em meus chacras, sou conduzido sem esforços pelo caminho, movido por uma divina sensação de plenitude e conexão, que traz tanta shakti pela minha coluna que espera Camille! - sinalizo com as mãos - preciso parar, estou meio tonto - meus dedos girando em torno de minhas orelhas.

Sento em seiza e coloco as mãos sobre as coxas. Acho difícil acreditar que excesso de shakti cause tonturas ou dores de cabeça, mas fato é que pode causar sim. Aliás, geralmente acho difícil acreditar em excesso de shakti, pois realmente não faz muito sentido antes da transcendência da dualidade.

Camille encosta a lanterna no peito e a aponta para o seu próprio rosto como num filme de terror. Quase quebro meu silêncio com uma risada. Então uma leve onda sobe pela minha nuca e explode dentro de meu crânio. Suavemente. Benignamente. Como um hímen que se rompe trazendo nova beleza e mistério ao corpo. E surge um feixe de luz colorida.

Primeiro penso que é só no meu olho esquerdo. Sempre que acontece algum estranho evento na minha visão penso que é no olho esquerdo. Mas logo fecho-o e verifico que é no direito também. Há um feixe de luz curva e colorida em meus dois olhos. Listras de luz formadas por triângulos, dourados, prateados, verde e amarelo neon. A curva segue os glóbulos dos meus olhos, dominando e acomodando a paisagem conforme o meu foco.

Noto que o céu começa a clarear. Um azul mais ameno tinge o centro dos semi-círculos traçados por linhas de luminescentes triângulos que agora parecem despertar em 3D. Como vou continuar caminhando assim? Meu foco parece um pouco borrado nos limites do feixe cintilante, será que isso é permanente?

Esfrego e pisco os olhos e então percebo algo confortante: este estranho fenômeno não pertence aos meus olhos físicos, pois ele se mantém quando eu fecho os dois! Na verdade, se intensifica. Sinto uma expansão da minha consciência ao mesmo tempo em que as tonalidades das cores triangulares se intensificam e dividem minha mente em três.

Camille, acho que tomei um ácido - sinalizo com as mãos. O que você está tentando dizer? - ele sinaliza de volta.

Não, eu não tomei um ácido. Isso parece mais DMT. Devo estar tendo algum tipo de ativação da minha glândula pineal que está desenhando contornos maias nas formas da natureza. Será que a minha abstenção já de mais de dois anos de flúor finalmente surtiu efeito, e ela está sendo reativada?

Não, provavelmente isso é apenas a montanha. Já caminhei essa trilha no ano passado e senti os efeitos da montanha na minha consciência, já tinha sentido essa mesma tontura antes mas nenhum hímen em meu cérebro havia se rompido.

Arunachala é realmente um dos lugares mais sagrados do mundo, aqui viveram inúmeros sábios que atingiram a consciência divina. O mais conhecido atualmente foi Ramana Maharshi, que após ter se iluminado aos 16 anos de idade, largou a família e o todo o resto do mundo, para passar a maior parte de sua vida aqui. Amma também veio para cá no começo da década de oitenta, e também não queria mais ir embora. Foi apenas após a suplicação de seus primeiros devotos, que ela concordou em voltar para seu estado natal de Kerala e fundar um ashram. Ainda bem.

Camille indica que precisamos continuar caminhando. Tento explicar para ele o que está acontecendo comigo mas é inútil, não sabemos nos comunicar em nenhuma linguagem de sinais e não podemos quebrar o nosso voto de silêncio.

Levanto e sinto a mão que empurra as nuvens por detrás da atual consciência humana. Sinto que apenas ela é real e que as nuvens são tão irreais, tenho a sensação de que estou vendo um filme. Eu costumava gostar muito de filmes mas faz já quase 3 anos que não consigo ir ao cinema - me parece agora uma tremenda perda de tempo!

A cada passo testemunho a projeção do filme mudar a cor do céu, agradeço a macia confortabilidade da minha poltrona, danço a maravilhosa mágica de minha atuação, sorrio um enorme desejo de aprender a arte da criação consciente para meu amigo que está agora atrás de mim. Ele sorri de volta.

Há poucas pessoas na trilha. Um agricultor, um atleta. Andamos com rapidez durante os primeiros raios de sol e logo chegamos a um trecho urbano, onde a cidade de Tiruvanamalai avança mais do que deveria - eu porém gosto dessa mudança de paisagem.

As pessoas estão acordando, ligando suas motos e penteando maria-chiquinhas em meninas que amarram seus pequenos cadarços ou observam os vizinhos com seus espelhos de maquiagem infantis, vizinhos que lavam potes ou desenham bonitas mandalas de giz na entrada de suas casas, para depois comprar algumas guirlandas de flores dos vendedores ambulantes e acender incensos. O ar é fedido e perfumado ao mesmo tempo. Troco 20 rúpias por duas guirlandas de jasmim, para ficar apenas perfumado. É o meu vício a dualidade.

Observo novamente a inigualável doçura indiana neste novo despertar. As mulheres sorriem enquanto penteiam suas filhas, as meninas sorriem enquanto viram os espelhos para que suas mães lhes penteiem, os maridos sem camisa sorriem ao sentarem seus filhos nas lambretas, e os meninos uniformizados sorriem ao descerem das lambretas de seus pais e correrem para nosso lado para pedir canetas, perguntar nossos nomes e sorrir. O ar matinal é doce como uma guirlanda de jasmim em volta do pescoço.

Deixamos a cidade por uma enorme escadaria que sobe até a caverna de Virupaksha, onde Sri Ramana viveu por 17 anos. Entrar nesta caverna é uma experiência única. O sono é um sintoma frequente que ocorre quando nos deparamos com um campo de consciência mais elevado, a mente foge para o inconsciente quando é hermeticamente cercada por ondas de frequências que não consegue ainda processar conscientemente. Há muitas pessoas dormindo sentadas dentro da caverna e eu também luto contra leves desmaios durante minha meditação. As paredes ainda emanam a magnitude da presença do grande mestre.

Meditamos também na caverna de Skandasramam, um pouco mais pra cima da montanha, mas acabo passando mais tempo com os macacos, que me cercam a procura de minhas últimas nozes. Camille aponta a cabeça para o topo da montanha. Já são duas da tarde, a subida demora 3 horas e pode anoitecer antes que a gente consiga descer, porém ele não espera minha opinião e parte para cima com largos passos.

Troco o dhoti por uma leve bermuda estampada com favelas cariocas, que estava no fundo da bolsa e uso o dhoti para proteger todo o corpo contra o intenso sol indiano, pois não há árvores na trilha da subida. São 3 horas íngremes e não temos tempo para descanso. Concentro-me no ritmo de um mantra a cada passo, os chacras das mãos bem abertos para fluir a energia do mantra e purificar a garrafa de água que acabei de encher numa bica qualquer.

Tiruvanamalai fica cada vez mais bonita e silenciosa. Lá embaixo, os grandes portões do templo branco se destacam entre a confusão de concreto. O horizonte se expande revelando a gentileza agrária das pequenas comunidades da região que plantam pimenta e mascam uma estranha vagem que não consegui entender o nome.

Encontramos outros peregrinos no caminho, porém eles estão todos descendo. Há lendas sobre babas enigmáticos que moram em pequenas cavernas da encosta mas nenhum se materializa para nós. Conheci apenas um que vive na montanha, lá embaixo perto do Ramanashram, que não me chamou muito a atenção.

E então chegamos. A um cenário surreal, se não estivéssemos na Índia - a um topo de montanha negro e grudento, repleto de restos de lixo queimado e tomado por milhões de libélulas que flutuam frenéticas em bandos magnetizados, atraídos e repelidos numa constante dança insetológica através das nuvens, que revelam e escondem o planeta conforme a temperamental vontade dos deuses.   

Em algumas datas ao longo do ano os nativos trazem dois mil litros de ghee para cá e tacam fogo, criando uma chama que atinge 30 metros de altura e mantem-se acesa por dias. O resultado é essa pasta negra e grudenta - tipo um asfalto derretido de cheiro bom - que permeia todo o chão e impossibilita os peregrinos de sentarem ao final da longa subida - a menos que eles escorreguem e caiam de bunda. E o lixo é cortesia de quase todos que chegam até aqui.

Já as libélulas encontraram uma boa desculpa no ghee queimado para não se afastar do topo da montanha - fora quando ele está em chamas eu imagino - mas o que as mantém realmente magnetizadas é a divina áurea desse lugar. Libélulas sentem e são atraídas por energias divinas.

Camille e eu deslizamos nossos chappals pela graxa para o outro lado de Arunachala e descemos um pouco até encontrarmos um lugar para sentar. Uma rocha proporciona uma magnífica e segura vista para o lado oeste e estendemos nosso banquete entre nossas pernas: água de bica e tangerinas.

Ao acabar as tangerinas estamos os dois irradiando felicidade. A montanha realmente nos invade e temos que nos segurar para não cair na gargalhada. Paz, amor, plenitude, experimentamos o maravilhoso conteúdo de todas essas setas. Amo as palavras, mas há algo melhor além delas.

Começa a noite e temos que pegar um ônibus antes do amanhecer. Estamos já a 10 dias em Tiruvanamalai, nos deliciando diariamente com a beleza de Shiva Shakti Amma, rindo e brincando com Aum Amma, passando algumas manhãs com Mooji, e tendo ainda a oportunidade de conhecer alguns outros gurus que passam pela cidade durante a alta estação de novembro a fevereiro.

Adoro a viagem no ônibus. Partimos as 4 da manhã num ônibus vazio com todas as janelas abertas e o vento da madrugada consegue tirar todo o calor acumulado da última semana. A pequena estrada também está vazia e o motorista acelera nas curvas e ignora os buracos - melhor que qualquer ônibus carioca.

Chegamos em Bangalore no auge do calor insuportável, observo parques verdes e modernos prédios de empresas de tecnologia espalhados entre a decadência arquitetônica de praxe enquanto nos movemos lentamente em meio ao trânsito caótico e a violenta poluição sonora.

Trocamos o ônibus por um rickshaw que nos leva a Universidade de Bangalore onde Amma está dando abraços. Nos desfazemos de nossas mochilas o mais rápido possível e corremos para o palco. Ao chegarmos, somos imediatamente convocados a enrolar prasad, bem detrás de nossa Guru. Isso é uma grande benção - me diz Camille - estamos fazendo uma boa peregrinação. Eu concordo, fazer parte da fábrica de prasad durante os intensos tours indianos sempre me pareceu uma grande benção. Sentar-me bem atrás da Amma e preparar prasad para milhares de pessoas que recebem seu darshan sempre me levou ao interior de uma nave alada e multi-dimensional, de tons branco e rosa que passeia por um interminável espaço atemporal de nossas consciências unificadas. E ainda no palco, encontramos Shivawn.

Shivawn vem de uma bonita linhagem de bruxas que detiveram valiosos conhecimentos durante a expansão e contração da ignorância humana dos últimos séculos. Seu conhecimento acumulado a colocou ainda na adolescência em contato com os estranhos eventos que acontecem anualmente no norte da Califórnia, denunciados aqui pelo radialista americano Alex Jones.

Logo após ter sido recrutada para trabalhar no infame bosque, Shivawn tomou consciência do que estava acontecendo ali e se uniu a um grupo de guerreiros da luz que se reúnem todo ano para combater e transmutar as energias geradas durante os rituais, oferendo amor e luz para aqueles que os conduzem.

Percebo a beleza da criação de Deus, o equilíbrio entre as forças opostas que formam a terceira dimensão. O grupo dominado pelas forças involutivas que se constitui de muitos líderes mundiais que ali se reúnem todo ano nem imaginam que seus empregados, contratados como garçons, manobristas e faxineiros, tem conhecimento de seus objetivos sinistros e trabalham juntos com as forças de luz para neutralizar as energias formadas em suas cerimônias secretas. O mal desenvolve sua insolência sustentada pela ignorância e o bem desenvolve sua compaixão sustentada pelo conhecimento. A primeira vista pode parecer que o bem está servindo o mal, mas com um olhar mais atento vemos que é o mal que serve o bem.

Shivawn decide se juntar ao nosso acampamento num quarto de hotel e também a nossa peregrinação. Fico feliz com sua decisão, pois sempre achei que dois é bom... mas três é melhor. Passamos os próximos 3 dias em Bangalore correndo do programa ao quarto de hotel e de volta ao programa, para ficar o maior tempo possível perto de nossa Guru. As multidões dos programas indianos são realmente impressionantes, as vezes Amma chega a abraçar 50 mil pessoas em um só dia, num ritmo e disposição cuja dimensão só pode ser absorvida ao sentar-se ao seu lado durante algumas horas, vendo e sentindo o poder de seu darshan.

Descobrir as experiências e conhecimentos de Shivawn sobre o encontro anual no norte da Califórnia me faz compreender melhor algumas experiências que já vivi.

FLASHBACK -- INT . LONDRES - 16 ANOS ATRÁS

O vinho é bom, mas não consigo beber muito. Os padres e as freiras já estão todos bêbados. Aprecio minha fascinação enquanto passeio o olhar pela cinematográfica cena a minha volta: quadros e cortinas sacras escondem paredes de pedra que sustentam singelos vitrais e formam aconchegantes aposentos onde moram padres e freiras que sentam-se a volta de uma grande mesa de madeira maciça discutindo sexo e política depois do almoço.  

Estou fascinado por ter encontrado aqui gente como eu, que desconfia dos livros de escola e sabe que o governo está mentindo, que acredita numa verdade relativa e não se ofende com específicos conjuntos de letras, que já buscou o sentido das coisas nos lugares mais improváveis para ter certeza de que realmente não está lá e que não tem medo de errar ao tentar. Já discutimos novelas e drogas, geografia e rock'n'roll, religião e paladares, e agora sou o único que não está bêbado dentro desta igreja.

Nos últimos dias tenho vindo almoçar aqui diariamente a convite de um dos padres. Da primeira vez vim puramente por estar sem dinheiro, mas agora descobri o real motivo pelo qual encontrei Ulysses subitamente no elevador de uma estação de metro, depois de termos passado uma tarde inteira discutindo filosofia em Oxford sem trocar contatos, a duas semanas atrás. Sim, o fluxo me fez reencontrar do nada alguém que conheci completamente por acaso numa outra cidade, dentro de um elevador público com capacidade para 8 pessoas, numa cidade de 8 milhoes de habitantes! Provavelmente para perceber, que mesmo numa enorme instituição religiosa dominada pelas forças involutivas existem pessoas boas que estão tentando entender quem são, que ficam confusas e mudam de opinião a respeito das coisas, que não conseguem sustentar suas máscaras o tempo todo e acabam sendo elas mesmas. Agora compreendo que a corrupta e macabra elite que gerencia essa instituição há séculos nunca foi um empecilho para que devotos sinceros se conectassem com Deus e atingissem a Sua consciência, tornando-se verdadeiros santos.

Ulysses foi meu guru durante 3 anos, desde a ensolarada tarde de verão em que nos conhecemos em Oxford até um ameno dia de outono quando ele me apresentou as áreas privativas da sede de sua instituição, localizada no centro da capital italiana. Durante 3 anos nos correspondemos intensamente, eu aguardava suas cartas impacientemente e respondia-lhe sempre rapidamente com o melhor de minhas novas conclusões a respeito das coisas. Realmente fiquei fascinado com aquela figura paternal que quebrou todos os preconceitos que eu tinha em relação as grandes religiões, e me mostrou que o mal e o bem eram mais complexos e estavam mais próximos um do outro do que eu imaginava.

Nunca vi Ulysses de batina, sempre cheguei depois da missa para o almoço, quando ele já estava vestindo sua habitual calça jeans e camiseta branca. No último dia em que nos vimos no centro da capital italiana ele também vestiu-se informalmente para me receber. Ele repetia em suas cartas que se preocupava comigo e eu me irritava com isso, não queria ler preocupações nas cartas que tanto aguardava, mas todos os mistérios descobertos por alguém que dedicava a sua vida a Deus. No entanto suas cartas eram longas e continham ambos. Foram essenciais durante o final da minha adolescência, mas em nosso último encontro havia algo nítido no ar: eu não era mais adolescente e nunca teríamos mais contato algum. Não combinamos de nunca mais nos escrever, aconteceu naturalmente.

Hoje porém ainda não sei o quanto de nossos pensamentos vamos trocar nos próximos anos. Ainda há uma parte de mim que guardo só para mim e o que aconteceu no final da tarde eu guardei só para mim, nunca compartilhei com ele. Na verdade só vim a entender e conseguir falar sobre o que aconteceu de fato depois de anos, quando não tínhamos mais contato. Porém, talvez Ulysses nunca deva saber o que acontece por detrás das enormes paredes dessas grandes instituições religiosas, que foram ao longo da história dominadas pelas forças involutivas, e mantém a maioria de seus congregados oblívios a sua infiltração. Ou foi ele quem nunca me contou isso.

Não consigo acabar meu copo de vinho e Ulysses nota que não estou pra conversa. Sou o único que não ri em volta da mesa.

Você já foi a Catedral de São Paulo? - ele me pergunta.

Não, depois de um mês em Londres eu ainda não havia ido, e nem me lembrava dela. Mas não estranhei sua sugestão, pois aqui mesmo nesta igreja havia uma democrática divisão de cerimônias - as da tarde eram protestantes. Só na Inglaterra... pensei da primeira vez em que ele me contou isso.

Hoje no final da tarde haverá um grande ritual lá, é um ótimo dia para conhecê-la.

Agradeço novamente o almoço a todos os presentes e ando até a estação de metro mais próxima apreciando as casas vitorianas, mas decido não entrar. Eu já sentia um amor paternal vindo dele mas ao mesmo tempo já havia essa intrigante distância própria do legítimo aprendizado. Ele não quis vir comigo, mandou-me ir sozinho.

A tarde está bonita e como não estou com pressa decido atravessar o Holland Park, posso pegar o metro do outro lado do parque e assim talvez não seja preciso fazer baldeação. Já fiquei no albergue que tem no meio do parque e tenho boas lembranças daqui. Há muitas flores e crianças arrancando-as. Famílias felizes sentadas em toalhas de piquenique.

Chego na Kensington High Street e ando pelo lado direito da calçada até a estação de High Street Kensington. Entro no tubo e aguardo a linha amarela. O primeiro trem é da District Line, então eu pego o próximo, um westbound trem da Circle Line, apesar deu estar indo pro leste. Ainda não entendo isso direito...

O trem está relativamente vazio. Um negão estiloso que estava sentado lá no canto do vagão de repente se aproxima e me pergunta onde fica a Boots mais próxima. Respondo que sua pergunta é relativa, como estamos nos movendo é uma dessas perguntas cuja resposta muda com o passar do tempo. Aconselho ele a repetir a pergunta novamente um pouco antes de descer do trem. Mas apesar de parecer morar num squat em Brixton, ele não tem certeza de onde vai descer. É, a Circle Line é meio confusa mesmo, porém pra evitar que esse cara fique me seguindo na rua, recomendo a ele descer duas estações depois da minha, que é uma estação muito supimpa, a Boots fica a direita. Dou um até logo e desço em Temple.

Saio do tubo e entro na City pela Fleet Street, contemplando a cidade histórica. Ando e ando e chego na esquina da Fleet com a New Bridge. Aguardo o sinal vermelho para atravessar a rua. O sinal abre e eu ando e ando e atravesso a rua e entro na praça e chego no começo da escadaria da catedral e olho para cima, para a porta de entrada.

E vejo algo estranho.

Vejo uma velhinha entrar na catedral. Pego ela rapidamente de lado e depois de costas, mas o suficiente para me lembrar dela: ela estava aguardando o semáforo de pedestres abrir ao meu lado, a 4 quarteirões atrás, na esquina da Fleet com a New Bridge. Opa, peraí!

Peraí... essa velhinha aparenta ter entre 70 e 80 anos e eu estou aqui no auge da minha adolescência, todo mundo que anda comigo na rua reclama que eu ando rápido demais! Ainda mais quando estou andando sozinho, eu ando muito rápido mesmo. Como é que essa velhinha andou mais rápido do que eu?

Começo a subir as escadas e minha mente já pula pro pensamento seguinte. Dou mais alguns passos antes de entrar na catedral, já no terceiro pensamento. No quarto, atravesso a batente da grande porta e dou o primeiro passo dentro da catedral. E olho para a minha frente.

A minha frente, a cerca de 10 metros adiante, está a velhinha que andou mais rápido do que eu, ainda de costas. Ela sente que eu entrei na catedral. Ela se vira lentamente em minha direção e então percebo que há algo muito peculiar a respeito de seu rosto. Tento entender o que, mas não tenho tempo.

Ela levanta e comprime seu punho direito e com toda sua energia e força corre na minha direção para me dar um soco na cara.

Comecei a praticar Aikido justamente naquele ano, em março. Vivia deslumbrado com a mestria de Morihei Ueshiba, assistia a todos seus vídeos e passava as tardes no tatame calculando em quantos anos eu conseguiria ganhar a faixa preta. Comecei a praticar no Brasil e agora eu procurava um professor aqui.

Acho que exigi muito do meu professor no Brasil. Ele era sem dúvida um ótimo mestre de Aikido, mas eu já tinha dentro de mim este desejo de encontrar um mestre que me mostrasse todos os segredos do universo. Eu projetava esse desejo nele e em pouco tempo comecei a criar uma frustração, que se tornava cada vez mais nítida.

Penso que já trouxe comigo os elementos desta abençoada relação entre mestre e discípulo de alguma encarnação anterior e reconhecia a falta deles durante minhas tardes naquele tatame. No entanto mantive minha dedicação e em poucos meses já havia aprendido algo desta maravilhosa arte marcial que ressurgiu no século vinte.

Algo que me protege dessa velha doida, correndo pra cima de mim pra me dar um soco na cara. Nos 3 segundos que tenho para acionar meus instintos meu corpo decide não utilizar o fluxo de energia que vem para me atacar contra a atacante, mas apenas absorver o impacto de uma forma segura. Eu ainda não tinha tomado a decisão de bater na velha doida.

Mas o impacto não acontece. Quando abro os olhos, ela está bem na minha frente, o punho comprimido a poucos centímetros do meu rosto. Há ódio em seu olhar e então meu coração dispara ainda mais e tenho a maior descarga de adrenalina da minha vida - a medida em que meus olhos percebem os detalhes de seu rosto eu entendo que ela não é humana.

Aquele ser mantém o punho cerrado na frente do meu nariz por um momento, enquanto eu sinto a baixíssima vibração de seu olhar. As características de sua face são demoníacas e algo fica claro entre nós: ele foi impedido de me tocar naquele instante.

Muito frustrado, ele se abaixa, vira seu corpo e começa a andar para dentro da catedral e eu percebo que enquanto estava bem na minha frente, estava na ponta dos pés.

Agora tudo toma uma outra dimensão. Durante toda minha infância e adolescência passei por experiencias que não conseguia entender e não podia compartilhar com as outras pessoas, e agora estou começando a viver mais uma. Em todas as vezes anteriores deixei a experiência se desfazer e sumir, sem correr e pular em cima dela e agarrar ela pelos cabelos, jogar no chão e exigir uma explicação dela. Mas agora estou cem por cento determinado a correr e pular em cima desse ser, agarrar ele pelos cabelos, jogar no chão e exigir uma explicação dele.

Estou na entrada de um dos maiores pontos turísticos de uma das cidades com mais turistas no mundo, mas ninguém parece ter percebido o que acabou de acontecer. É domingo, 4 da tarde, o sol brilha forte e os turistas entram a minha volta deslumbrados com as recém descobertas proporções da catedral e a grandiosa missa que se inicia neste exato momento.

Vou imediatamente atrás do ser e combino comigo mesmo, muito seriamente, que a partir de agora não vou piscar. Não vou perder um segundo desta experiência, vou absorver tudo com o maior grau de consciência possível em todos os meus sentidos.

A catedral é realmente enorme e o ser caminha para dentro dela pela ala central desviando-se dos turistas. Nem ele nem eu conseguimos correr sem atropelar alguém, então ambos caminhamos o mais rápido possível, ele como que atrasado para o ritual e eu, para alcançá-lo e derrubá-lo no chão.

Após algumas palavras iniciais em latim se inicia uma grandiosa cantoria. Há centenas e centenas de padres e freiras e bispos e cardeais que cantam juntos, todos com vestimentas brancas e vermelhas, enfileirados de pé em ambos os lados do recinto, desde o altar até o meio da catedral. Bem no meio, uma corda separa os religiosos dos turistas e um homem alto, branco, vestido todo de negro pede aos turistas que ali chegam para sentarem-se.

Tento perceber o que está acontecendo no altar mas combinei comigo mesmo de não tirar o olho do ser até agarrá-lo. De não piscar. O ser então se aproxima do alto homem de negro que controla a entrada para a ala interior da igreja através da corda e para meu completo espanto eles começam a conversar como se já se conhecessem!

Isso me imobiliza. Paro a poucos metros deles, ainda há alguns turistas de pé entre nós mas consigo vê-los muito bem. Eles conversam com intensidade, apesar de estar muito próximo não consigo ouvir o que dizem, a cantoria é ensurdecedora.

Suas expressões, gestos e movimentos dos lábios se intensificam e agora parece que estão brigando. O ser então grita com o homem alto e este finalmente concorda com ele: a corda é levantada e ele pode entrar. E então tenho a segunda maior descarga de adrenalina da minha vida, minutos depois da primeira: ao passar por debaixo da corda que separa o interior da catedral o ser desaparece diante de meus olhos abertos.

O homem alto abaixa a corda e retoma seu pedido aos turistas, para sentarem-se. Eu quero ir até ali e falar com ele mas não consigo, meu corpo precisa correr. Corro entre os bancos chutando aqueles que estão no meu caminho e corro por uma das alas laterais. Bato nas pessoas, bato nas colunas, alguém grita comigo. Preciso sair daqui o mais rápido possível.  

Me esforço para caminhar e sair da catedral enquanto a segurança é acionada. Seguro o coração e mantenho a passagem de ar pela boca aberta até chegar na porta. Sei que algumas pessoas estão vindo atrás de mim mas elas não vão conseguir correr tanto quanto eu. Corro para a luz do dia.

Não sei por quanto tempo eu corri. Não sei aonde estou. Sinto ainda a realidade quebrada, minha consciência entre dimensões. Vejo uma estação da Piccadilly Line. Gosto da Piccadilly Line, ela pode me levar para casa.

Acordo em Cockfosters. Droga, preciso voltar.

Acordo em Heathrow. Droga, não vou conseguir voltar. Melhor dormir aqui no aeroporto, ninguém vai notar que não vou pegar um avião.

INT . BANGALORE - MADRUGADA

Acordo com o frio do ar condicionado. Camille e Shivawn dormem profundamente. Há uma outra menina dormindo no nosso quarto, ela tem dreads loiros, é finlandesa e mora no ashram desde que cheguei a Amritapuri. Gosto dela.

Após 3 dias em Bangalore temos que repensar nossa peregrinação. Amma viaja todo ano num grande tour pela Índia nos 3 primeiros meses do ano, mas não havíamos planejado acompanhá-la desta vez. De Tiruvanamalai iríamos para Tiruchirapally para ver Swami Premananda, que está injustamente preso, mas que todo ano manifesta seu corpo fora da cadeia na noite de Shivaratri.

De Tiruchirapally talvez fossemos para Madurai, mas com certeza continuaríamos para Pondicherry, para visitar o ashram de Sri Aurobindo e a famosa ecovila de Auroville.

Mas não resistimos a atração de nossa Guru. Um verdadeiro Guru é irresistível, seus devotos são atraídos a ele como limalhas de ferro a um poderoso ímã. Você sabe que encontrou seu Guru quando sente um amor espontâneo e uma atração inexplicável a ele.

Enquanto amanhece medito sobre a peregrinação. Sim deixamos de ver os milagres realizados por Swami Premananda na noite de Shivaratri e eu perdi mais uma vez a oportunidade de conhecer o ashram de Sri Aurobindo, mas meu coração está feliz. Sinto que seguindo nossos corações estamos fazendo a peregrinação certa, que vai nos levar para uma sabedoria que não pode ser alcançada através da mente, que havia planejado o roteiro perfeito.

Nossa próxima parada seria o ashram do famoso guru Satya Sai Baba, porém aqui em Bangalore recebemos a notícia de que Mother Meera estará dando darshan por cinco dias em sua cidade natal de Madanapalle, a poucas horas daqui, a partir de hoje. Mother Meera mora na Alemanha e passa curtos períodos de tempo aqui na India. Na Alemanha as pessoas esperam meses para poder receber seu darshan; aqui é só chegar. Vamos discutir isso no café da manhã.

No café da manhã a finlandesa parte em outros rumos e nós 3 decidimos mesmo ver Mother Meera. E de repente, Martina e Pete sentam-se na nossa mesa.

Martina e Pete são um casal, ela irlandesa e ele americano, que estão fazendo uma viagem romântica através da Índia. Nos conhecemos por estarmos hospedados no mesmo hotel, na primeira noite, quando chegamos todos juntos em rickshaws diferentes e a porta do hotel já estava trancada.

Por termos nos conhecido, eles ficaram sabendo quem é a Amma e vieram abraçar ela, na segunda noite do programa. Ontem a noite não os vimos, e agora de manhã eles sentam-se a nossa mesa e nos dizem que querem abandonar a viagem romântica que haviam planejado para viajar conosco. Para onde estamos indo?

Contamos que acabamos de decidir ir a Madanapalle, a cerca de 4 horas daqui, ver Mother Meera. Seu darshan é as 6 da tarde, então temos que sair logo. Vai demorar no mínimo uma hora para chegar na rodoviária, 4 ou 5 no ônibus, 1 hora talvez até acharmos um hotel e depois o seu ashram. E já são quase dez.

Vamos de táxi - eles nos convidam. Seu convite é imediatamente aceito.

Demoramos 2 horas para achar um táxi grande o suficiente para nós cinco, com a ajuda dos dois rapazes da recepção e do magrelo irmão de um deles, e do porteiro diurno que discutiu o assunto com o bigodudo gerente do restaurante que contatou a simpática cozinheira do norte da Índia que é irmã de uma das faxineiras que está de folga hoje, mas que falou com o dono da loja de punjabis ali da frente e o vendedor de cocos da barraca da esquina e que juntaram duas dúzias e meia de motoristas de rickshaw parados na frente do hotel fechando o trânsito e gritando uns com os outros para decidirem quem vai nos levar em 4 rickshaws - os extras para as malas - numa viagem de mais de 7 horas pela empoeirada estrada e calor insuportável de Karnataka e Andhra Pradesh. E também com a ajuda do filho do dono da farmácia da rua de trás, da tia-avó de um vendedor de capas de celulares que passa ali todas as quartas e de um novo hóspede que acabou de chegar de Chennai com a mãe e cinco primas - duas delas solteiras - e ligou para um tio com quem não falava desde o ano passado que tem um escritório de importação e exportação e conhece o dono de uma frota de táxis que ficam no aeroporto e tem carros grandes para mais de 3 pessoas e conseguiu convencer um dos motoristas a atravessar a cidade no horário de rush para vir nos pegar aqui no hotel e levar até Madanapalle, assim não precisamos fazer uma viagem infernal de rickshaw.

O motorista do tal carro, além de ficar preso no trânsito de Bangalore provavelmente parou no meio do caminho para encher os pneus, trocar o óleo e almoçar, pois eles só colocam gasolina depois que pegam os passageiros e já tem confiança no pagamento. Na Índia as pessoas se iluminam porque há muitas oportunidades de cantar seu mantra e rezar. Deixamos o hotel as 2:15 da tarde.    

É claro que minha mente se irrita com toda essa confusão, já estamos bem atrasados para o darshan, mas sinto que há algo especial na decisão de Pete e Martina. O carro é realmente grande, confortável e tem ar condicionado, eu sento no banco da frente com a Shivawn a minha direita e o motorista ao lado dela. Pete, Martina e Camille no banco de trás.

Saímos de Bangalore e viajamos por uma das paisagens mais bonitas do sul da Índia, há mini montanhas e mini desertos, pedaços de florestas e rios. Finalmente uma estrada sem casas na sua beira. Vamos nos conhecendo melhor e percebo que estou na companhia de cinco pessoas incríveis - o motorista tem um olhar profundo e penetrante e resmunga com alegria.

Viajamos com velocidade e a felicidade do meu coração se expande a cada quilômetro. A paisagem, a conversa, a pacífica expectativa do novo darshan e a maravilhosa satisfação do último constroem uma linda egrégora ambulante em volta do nosso carro, que vibra em luz e me remete aos momentos mais bonitos da minha vida: andando solto por uma praia tailandesa antes da monção, pulando alto os muros de um castelo escocês depois do crepúsculo, desenhando círculos no ar a minha volta com os braços ao definir os pontos cardeais de um novo planeta a ser habitado, inteiro, completo, feliz, presente, em paz.

Amo este carro branco em todos os seus detalhes, do estofado negro dos bancos ao cinzeiro ao vidro do pára-brisa que me protege do vento e a cada ser humano que aqui dentro senta-se comigo nesta misteriosa viagem rumo ao divino desconhecido. Sinto a aura de nossos corpos trocando as cores de nossas almas e sinto o peso do meu corpo pressionando os ombros contra os braços retos que terminam com as mãos abertas no vidro da frente, uma delas em cima da mão da Shivawn, que também se segura como pode enquanto o carro é jogado no acostamento e desligado abruptamente, a porta do motorista aberta aos trancos e o próprio que sai correndo com a boca caída sem nos dar nenhuma explicação.

Olhamo-nos rapidamente e concordamos instantaneamente em silêncio: o carro vai explodir.

Nos atiramos pelas portas e nos afastamos o mais rápido possível do automóvel. Correndo de volta em nossa direção chega o motorista que nos abraça eufórico e grita repetidamente:  Grande avadhuta! Grande avadhuta! Grande avadhuta!

Olho para trás na direção em que ele aponta e vejo um homem corcunda de cabelos brancos e cabeça torta, guirlanda e cachecol em volta do pescoço, sentado em lótus sobre uma bicicleta para crianças, que desliza pelo asfalto se aproximando de nós.

Todos observamos atentamente enquanto ele passa ao nosso lado e segue adiante pela estrada.

Grande avadhuta, grande avadhuta - continua gritando o motorista - entrem logo no carro!

Entramos logo no carro e ele acelera atrás do avadhuta. Isso é uma grande benção, isso é uma grande benção - ele nos repete ainda eufórico em seu inglês quebrado -  vou passá-lo e vamos parar novamente mais adiante!

Já ouvi falar muito desse avadhuta - ele continua - já vi um programa de TV sobre ele há alguns anos atrás, mas nunca em toda minha carreira de motorista eu tive a sorte de encontrá-lo na estrada! Ele nunca pára de viajar, está há muitos anos sempre em constante movimento viajando por toda a Índia e ninguém nunca sabe para onde ele vai - encontrá-lo é uma grande benção!  Vocês são muito sortudos! Isso é muita sorte, isso é uma grande benção!

Observo atentamente o senhor sentado em lótus enquanto passamos a sua direita e paramos novamente mais adiante. Descemos do carro e noto que o avadhuta não pedalou a bicicleta em nenhum momento desde que o vimos pela primeira vez. Olho para os dois lados da estrada. Não estamos numa descida, na verdade a estrada parece estar subindo ligeiramente e a bicicleta dele continua se aproximando de nós com a mesma velocidade sem que ele toque nos pedais!

Shivawn, me dá sua câmera.

Ligo e ajusto o zoom. Espero ele se aproximar um pouco para pegá-lo mais de perto. Estou convencido de estar vendo algo muito peculiar, um senhor corcunda sentado em lótus sobre uma bicicleta que sobe a estrada sem nenhum impulso dos pedais. Mas quando vou bater a foto ele inexplicavelmente abaixa as pernas e pego o primeiro toque de seus pés nos pedais:


Ele passa do nosso lado ainda sem pedalar e sorri para mim. Tem alguma coisa acontecendo aqui. Nosso motorista está ainda maravilhado quando um carro que vinha lá atrás pára do nosso lado e nos informa:  há um grupo de carros que seguiu adiante e estão enrolando prasad em algum chai stop. Eles vão convidar o avadhuta para parar, dar darshan e distribuir prasad para todos.

Vamos receber darshan! - nos avisa nosso motorista.

Subimos no carro e tenho sentimentos confusos dentro de mim. Eu ainda tinha esperanças de ver Mother Meera esta noite, havíamos pedido a ele para dirigir o mais rápido possível, imaginando que poderia haver um satsang com bhajans que demorasse umas duas ou três horas e então talvez chegássemos já no final, mas ainda a tempo do darshan.

Porém nosso motorista não quer discutir o assunto e já tomou a decisão por todos nós - vamos passar o maior tempo possível junto do avadhuta.

Todos os mestres indianos contam estórias de avadhutas em seus livros porém eu ainda não consegui absorver plenamente o significado e a importância de suas ações. Estou vivendo um sentimento que já li antes em livros, os avadhutas realmente desafiam a nossa mente.

Amma encontrou oficialmente 3 avadhutas, em estórias que estão relatadas em seus livros. Um deles tinha uma aparência tão suja e vivia num barraco tão bagunçado que um de seus swamis confessa no livro: se aquilo era a iluminação, então eu tinha decido ali mesmo que não queria mais atingi-la!

Uma das estórias é sobre a famosa avadhuta de Kanya Kumari, Mayi Amma. Ela vivia pelada na praia cercada de muitos cachorros e acredita-se que viveu por mais de 600 anos. Numa visita no começo da década de 80 a cidade, Amma e seu grupo de swamis foram encontrá-la na praia. De todo o grupo de 15 pessoas, havia somente uma que era vegetariana desde o nascimento.

Sem ninguém lhe contar isso, Mayi Amma logo entrou pelada no mar, pegou um peixe com as próprias mãos, voltou a praia e o atirou na frente desse único swami que nunca havia comido peixe ou carne em toda sua vida, ordenando-lhe:

Coma!

Chocado, o swami olhou para o peixe semi morto na areia debaixo de seus pés e depois para sua guru, na esperança de que ela lhe dissesse para não obedecer a essa ordem insana. Porém Amma não contestou o mandado da avadhuta.

Devido a sua demora em recolher o peixe, um cachorro acabou atacando e comendo a maior parte do animal, deixando apenas alguns restos de carne e escamas afogados em sua baba.

Coma!  - insistia Mayi Amma.

Após ter comido o que pode com extrema relutância e se recuperado do choque, o swami perguntou a Amma qual havia sido o significado daquela experiência.

Por ser o único vegetariano desde o nascimento em nosso grupo - respondeu Amma - ela sentiu que havia dentro de você um sutil sentimento de ser melhor que os outros, e isso precisava ser corrigido.

Em seu bárbaro e formidável livro Play of Consciousness, Swami Muktananda também relata o encontro com avadhutas:

"Eu fui ver um outro grande santo que eu conhecia, chamado Zipruanna. Ele era um grande Siddha. Ele costumava ficar nu e passava seu tempo perambulando as vielas da aldeia de Nasirabad. Ele era reverenciado por todos como um grande ser e chamado por "Anna", por todos os velhos e jovens. Ele costumava morar em lugares onde não havia pessoas, em casas degradadas e cabanas afastadas dos moradores da vila. Ele havia atingido um estado muito elevado de ioga. Ele era previdente, o que significa que ele sabia dos acontecimentos passados ​​e futuros. Seu corpo tinha sido queimado tão puro pelo fogo da ioga que nenhuma sujeira podia tocá-lo. Ele elevou seu corpo a um estado tão alto que eu ficava maravilhado com ele; o Ser interior dos iogues é livre de manchas e o corpo de Zipruanna tinha essa pureza imaculada. A primeira vez que fui visitá-lo, ele estava defecando em um canto; quando me aproximei, ele começou a esfregar suas próprias fezes por todo o seu corpo. Sentei-me bem perto dele e descobri que ele emitia uma fragrância doce - ele não cheirava mal de jeito nenhum. A próxima vez em que fui vê-lo, ele estava sentado em uma pilha de lixo. Mesmo assim, a sujeira não o tocava. Eu não tive coragem de chegar perto, então esperei a uma certa distância. Depois de algum tempo, ele desceu da pilha de lixo. Lavei os pés dele. Uma fragrância como a ashtagandha (uma erva aromática) era exalada de seu corpo. Zipruanna tinha um grande amor por mim. Mesmo agora eu ainda reflito sobre as realizações dessa grande alma. Uma vez perguntei a ele: 'Anna, por que você está sentado nessa sujeira?' Ele respondeu: 'Muktananda, a sujeira que está dentro é muito pior do que isso. Pense a respeito. O corpo do homem é apenas um saco de merda e mijo. Não é verdade?' Eu permaneci em silêncio. Zipruanna era um grande avadhuta, a jóia da coroa entre os santos."

Porém os avadhutas não estão confinados a Índia. É que a sábia e majestosa tradição espiritual indiana aprendeu a reconhecê-los e respeitá-los, porém um olhar mais atento é capaz de achá-los até mesmo no ocidente - pessoas que atingiram a Consciência Divina mas nunca chegaram a atuar como grandes mestres. Um maravilhoso exemplo é a Peace Pilgrim.


Peace andou os Estados Unidos por 28 anos sem parar. Ela comia apenas quando lhe era oferecida comida e dormia apenas quando lhe era oferecido abrigo. Seus únicos pertences eram a roupa e sapatos que vestia. Um lindo documentário sobre Peace pode ser visto aqui.

Além de nos presentear com uma enorme lição de fé, é muito bonito ver como Peace transmitia os mesmos ensinamentos dos grandes mestres, que ela provavelmente recebeu diretamente de Deus durante sua longa peregrinação.

Dentro do carro, passamos novamente  a direita do avadhuta e aceleramos atrás das pessoas que nos informaram sobre a provável parada dele em um chai stop mais adiante. Já tendo planejado dois darshans para hoje, eu realmente não imaginava que estamos prestes a ser majestosamente presenteados com um terceiro.  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Enfim, a Liberdade!


A corja de criminosos que se apossou do nosso planeta vai em breve ser tirada do poder. A cada dia que passa, mudanças significativas acontecem. A quantidade de pessoas que estão hoje trabalhando para trazer a tona todos os crimes cometidos por essa corja é tamanha que não é mais possível esconder a verdade, ela vai vir a tona e todos vão conseguir enxergar a verdadeira história da humanidade e o tamanho da escravidão imposta sobre a atual sociedade humana. A nossa liberdade está a cada dia mais próxima.

Em breve teremos um jornalismo livre, os jornais e canais de televisão vão gradativamente perder a censura imposta pelos criminosos a muitas décadas atrás e começar a noticiar para a grande população o que realmente está acontecendo no mundo.

Na semana passada a Câmara dos Lordes em Londres - a alta câmara do parlamento britânico - foi palco de um sensacional discurso feito pelo Lorde David Noel James, conhecido como o Barão James de Blackheath. Em seu discurso James denunciou uma enorme fraude finaceira de 15 trilhões de dólares americanos, que envolvem os mais altos escalões de quatro dos maiores bancos ingleses e americanos, e também do próprio governo americano.

A transcrição do discurso pode ser lida em sua íntegra aqui

Esse é um escândalo financeiro com proporções políticas tão grandes que fazem o Watergate, o escândalo que causou a renúncia do presidente americano e a prisão de 43 pessoas de seu alto escalão na década de 70, parecer um acontecimento tolo. O que temos aqui é um caso que deveria provocar a renúncia de dezenas de líderes mundiais e milhares de pessoas do alto escalão de governos e grandes empresas de todo o mundo.

Porque a denúncia do Lorde James é apenas a ponta de um gigantesco iceberg que representa uma vasta gama de crimes contra a humanidade - crimes políticos, financeiros e sociais - cometidos pela corja que se apossou dos governos, da grande mídia e das instituições internacionais ao redor de todo o globo, para por em prática as deturpadas crenças adquiridas através de suas secretas sociedades religiosas.

Porém apesar da grande mídia ainda não relatar a história toda, as renúncias já começaram:

Presidente alemão renuncia diante de acusações de corrupção

Primeiro ministro da Romênia renuncia com todo seu gabinete

Presidente do Banco Mundial anuncia sua saída

Presidente do banco australiano ANZ renuncia

Após renúncia, ex-premiê da Itália Berlusconi é condenado a prisão por corrupção

Escândalo bancário no Japão causa a prisão de 7 executivos

Diretor de banco suiço Credit Suisse renuncia

Presidente do Banco Central da Nicarágua renuncia

Presidente do Banco Central da Suiça renuncia

Presidentes de dois dos maiores bancos da Slovênia renunciam

Escândalo bancário causa renúncia de diretor do Banco Central da Rússia

Presidente do banco americano Goldman Sachs anuncia sua saída

Diretor do banco britânico Royal Bank of Scotland renuncia

Governo interino do Kuwait renuncia - entre eles o presidente do Banco Central

Presidente do banco koreano KEB renuncia

Quatro padres são culpados de lavagem de dinheiro no Banco do Vaticano

Presidente do banco indiano Kotak Mahindra renuncia

Presidente do banco indiano Dhanlaxmi renuncia

Diretores do banco americano Morgan Stanley renunciam

Ministro de Hugo Chavez renuncia devido a corrupção bancária

Presidente do banco britânico Butterfield renuncia

Governador do Banco Central da Nova Zêlandia anuncia sua saída

Presidente de banco japonês Normura renuncia

Diretor do banco espanhol Santander renuncia

Diretor do banco britânico Loyds renuncia

Presidente de banco privado britânico Saunderson House renuncia

Um terço dos diretores do banco americano da Virgínia renunciam

Presidente do banco francês Société Générales renuncia

Presidente do banco britânico Coutts renuncia

Fraudes em banco iraniano Melli causa renuncia de presidente

Diretor do banco UBS do Japão renuncia

Vários diretores renunciam no banco indiano Beed

Renúncias sugerem mudanças em dois bancos chineses

Presidente do banco suiço UBS renuncia devido a fraudes

A maioria destas renúncias aconteceram em janeiro e fevereiro deste ano e essa lista com certeza não está completa. As mudanças ainda não são perceptíveis para o cidadão comum, mas são uma indicação óbvia de um sistema financeiro mundial extremamente corrupto e imoral. Ao mesmo tempo em que é cobrada da grande maioria da população do planeta uma honestidade financeira, a elite mundial rouba livremente, protegida por leis e acordos internacionais criados para estimular a corrupção.

Depois de ser ameaçado de morte, David Wilcock passou os dois últimos meses escrevendo a verdadeira história financeira do século vinte em seu enorme artigo Financial Tyranny , mostrando que existem tratados internacionais entre o FMI e os bancos centrais de alguns países para promover o roubo e a corrupção.  

Como brasileiros, estamos acostumados com o roubo generalizado de nossos políticos, banqueiros e empresários, mas temos a ilusão de que isso não acontece na Europa e nos Estados Unidos. A verdade é que a corrupção mundial é controlada por uma pequena elite, da Europa e dos Estados Unidos, e foi deliberadamente difundida em todo o mundo, juntamente com um sistema financeiro que possui a sua base no débito, para que fosse gerada miséria e escassez entre a sociedade humana. De propósito.

A fome e o desespero social e econômico que prevalecem em muitos países foram criados de propósito, assim como organizações humanitárias não-governamentais e instituições como as Nações Unidas, que deveriam trabalhar para amenizar este desespero, são corrompidas e anuladas de propósito.

A riqueza do planeta foi roubada pela elite a serviço das forças involutivas através de ações criminosas, pois assim a população seria controlada com mais facilidade. A verdadeira história e status desse planeta foram roubados, estabelecendo uma profunda ignorância da razão pela qual estamos aqui.

Porém os criminosos estão sendo forçados a abandonar seus planos de dominação global devido a crescente elevação da frequencia do planeta. Toda a corrupção que dominou a política e os negócios nos últimos séculos será limpa em breve. Num futuro próximo o governo será bem diferente do que é hoje e os governantes estarão realmente a serviço daqueles que representam.

As notícias dos fatos podem não estar imediatamente disponíveis, mas com o contínuo expurgo das trevas todos vão tomar nota delas. Até a corja perder o controle da mídia mundial, muitas informações serão censuradas e muitas desinformações serão anunciadas para que criem medo e confusão. Neste ponto todos aqueles que já despertaram devem saber distinguir entre a verdade e as informações falsas e negativas. Podemos também sempre escutar o nosso coração, se ele sentir que algo não está certo então algo não está certo. Muitos guerreiros já estão despertos e lutando pela luz, fazendo o que podem para trazer a verdade a tona - e nosso trabalho é identificar essas pessoas, aprender com elas e eventualmente nos unir a elas.

Muitas tentativas para se iniciar uma terceira guerra mundial já foram impedidas pelas forças de luz, a terceira guerra mundial não acontecerá. Se você prestar atenção nos acontecimentos notará que existem muitas operações secretas acontecendo para criar esta guerra, as forças involutivas estão tentando desesperadamente, porém ela nunca acontecerá.

Não permita que relatos de conflitos ao redor do mundo, especialmente no Oriente Médio, lhe causem medo. Esse grande conflito não irá acontecer. O Oriente Médio logo terá paz e ela será permanente. Não há mais espaço para armas nucleares neste planeta e elas já estão destinadas a serem todas desmanteladas. As forças de luz não permitirão que elas sejam usadas em nenhuma circunstância e até a corja criminosa já sabe disso.

Estamos no meio de uma imensa batalha entre o bem e o mal, porém muita gente não consegue ainda enxergar esta batalha porque ela está sendo lutada com diferentes tipos de armas. Devido a essa diferença de armas, não é formado um campo de batalha onde dois exércitos se opõem frente a frente - o que poderia ser então facilmente filmado ou fotografado. O bem não luta com as mesmas armas do mal. Enquanto o mal impõe sua vontade a força, o bem convida ao devido uso do livre-arbítrio. O mal luta com o medo e a ignorância - o bem luta com o amor e a verdade. O mal pune e o bem perdoa.

Então é muito importante usar as armas certas se quisermos realmente vencer esta batalha. Nosso objetivo não é saturar as cadeias mundo afora com os inúmeros membros da corja internacional, nosso objetivo é atingir um mundo onde não hajam cadeias, é perdoar a elite criminosa e vencê-la através do amor.

Estamos criando a nossa realidade o tempo todo, quer saibamos disso ou não. Durante muitas vidas fomos nós que criamos tudo o que estamos vivendo hoje. Devemos nos lembrar de que pouco fizemos para impedir o avanço dos planos das forças involutivas. É verdade que as ações deles tem sido extremamente desonestas, mas até hoje houve pouca resistência de cada um de nós a esses objetivos malignos. Foi apenas há pouco tempo que as pessoas começaram a despertar e perceber o que está acontecendo a sua volta. A energia criada por essas pessoas despertas se fortalece cada vez mais e está criando a mudança de rumos necessária para reverter todo esse mal. Só agora podemos enxergar com mais claridade e fazer escolhas conscientes sobre o destino deste planeta.

Se hoje você experimenta a pobreza é muito provável que já tenha experimentado a riqueza em outras vidas, a sua alma tenta desta forma criar um vasto escopo de experiências na terceira dimensão. Qualquer seja a sua experiência hoje, ela é a mais adequada para elevar o seu nível de consciência durante esta transição. Nosso objetivo final é sair da dualidade e conhecer Deus, nosso Criador.

Algumas pessoas se preocupam em descobrir os fatos de suas vidas passadas, mas não dê muita importancia para isso. Quando a hora certa chegar você vai naturalmente se lembrar de todas as suas vidas passadas. Os detalhes geralmente são irrelevantes, o que importa é o que você aprendeu, as lições que tirou delas. O agora é o momento mais importante que existe, porque é no agora que está o resultado de todos os seus aprendizados, todo o potencial de sua sabedoria. Muitas pessoas hoje já conseguem incluir em sua sabedoria a compreensão do amor incondicional, e esta é uma conquista verdadeiramente maravilhosa.

Muitas vidas se passaram e hoje estamos muito mais sábios do que quando primeiramente entramos nas dimensões mais baixas. Para muitos não há mais nada o que se aprender aqui, já estão prontos para ascender para dimensões mais elevadas. Mas todo o aprendizado conquistado aqui será válido e útil nas dimensões superiores.

As almas que estão prontas, que estão já vibrando de acordo com a frequência do amor, poderão ascender durante a transição. Porém muitas almas não estão prontas e muitas outras não tem ainda o desejo de ascender, elas querem apenas adicionar esse intenso período na dualidade a suas experiências. Qualquer que seja a decisão de sua alma, ela é perfeita para você.

O colapso do sistema antigo poderá não ser uma experiência das mais agradáveis, mas precisa acontecer. O atual foco das forças de luz é para que esta mudança ocorra de uma maneira rápida e precisa, causando o mínimo de sofrimento possível, porém sempre haverão dificuldades causadas por aqueles que não querem as mudanças. A missão de resgate do planeta Terra começou a centenas de anos e não será frustrada de forma alguma. Por muito tempo a liberdade e os direitos humanos foram sequestrados, chegou o tempo de serem restaurados. O velho paradigma está extinto e não há mais energia para sustentá-lo. Um novo dia se inicia e vai florescer em todo seu esplendor com a Ascensão.

Mantenha os olhos e ouvidos abertos e tome conhecimento de todos os segredos a medida que eles forem sendo revelados. Saiba que as forças de luz nunca estiveram ociosas, e estão agora prestes a virar o jogo. Essa virada exigiu um tempo considerável, mas ela vai finalmente acontecer, com a ajuda de todos nós.

Comece a usar o poder que você tem para manifestar as mudanças necessárias. Divulgue seus conhecimentos sobre a transição, pois há ainda muita gente confusa que não compreende o que está por trás dos atuais eventos. A verdade vai chocar essas pessoas e pode criar medo nelas, elas devem então ser informadas de que as mudanças são boas e necessárias para a construção de um mundo melhor.

Logo chegará o momento em que a humanidade viverá sem medo e então uma linda onda de alegria e paz varrerá a Terra. A humanidade vai experimentar um nível de liberdade do qual se esqueceu a muito tempo. Viva como se você já tivesse passado pela transição - e você logo perceberá o quanto já evoluiu.

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Escrevi o texto acima após ler algumas das mensagens de SaLuSa disponíveis no website The Tree of the Golden Light

Obrigado SaLuSa!


domingo, 5 de fevereiro de 2012

2012!


Chegamos! Estamos em 2012!

Eu entrei o ano em uma mágica cerimônia numa bonita comunidade no Planalto Central do Brasil, imerso numa profunda e honesta conversa com o reverenciado e bondoso Senhor Shiva. Om Namah Shivaya! E desde então, estou a 36 dias tentando escrever algo aqui, tentando corroborar com a tão esperada entrada deste tão auspicioso ano, mas a verdade é que tal conversa me deixou profundamente sem palavras.

Om Namah Shivaya! Eu agradeço Senhor!



Então decidi pegar emprestadas muitas das belas e sábias palavras de Meredith Murphy:


Você está despertando para o seu Eu Interior?
Para a eterna e verdadeira consciência de quem você realmente é?

Você percebe que seus sentimentos, que as mudanças que estão acontecendo em você, são parte de uma mudança de energia MAIOR?

Você está gradativamente tomando suas decisões com base em seu coração, percebendo a natureza divina de seu Ser, e sentindo que algo GRANDE está para acontecer?

VOCÊ É UM SER ABSOLUTAMENTE LINDO!

E chegou a um lugar de encontro e partilha das maravilhosas aventuras espirituais de nosso tempo. Este é um oásis para as pessoas que estão acordando e se dedicando a expansão do potencial humano, usando a alquimia de nossas energias e de nosso foco para a criação de uma nova Terra. Estamos aqui explorando novos paradigmas de existência, usando nossa experiência direta para adquirir uma maior compreensão da natureza de nossa realidade, da nossa holística relação com o Cosmos, da causa energética de nossa presença aqui no planeta dentro dessa vastidão do Ser, que é o fabuloso Campo Unificado da existência.

Aqui você tem a oportunidade de estar com a sua verdadeira família, de celebrar e participar de manifestações de conversas sobre as mais profundas questões da vida humana. Venha para cá naqueles momentos mais desafiantes e você será inspirado a acreditar em suas escolhas, a reconhecer sua inata sabedoria interior e ser capaz de usá-la para transformar a sua vida e o nosso mundo.

Neste momento tão auspicioso, agora que você e eu nos conectamos, temos a chance de compartilhar juntos este enorme e sem precedentes despertar coletivo, que está sendo chamado de 'transição', muito falado a respeito em conversas místicas sobre o 11:11 e 2012. Ao apenas ler estas palavras alguma coisa está acontecendo, existe uma transmissão e troca de energias.  É sobre essa troca que as pessoas se referem quando dizem que há mais luz chegando aos planos terrestres, que estão sentindo que a energia está se tornando mais 'intensa' ultimamente. Quanto mais você despertar, mais você vai notar a energia da sua experiência, e se aproximar de seus sonhos - porque tudo é energia, inclusive você!

Estamos todos caminhando juntos, cada um no seu próprio ritmo, e ninguém será deixado de fora. A liberdade é o nosso destino assegurado. Cada um de nós está sendo internamente guiado de uma maneira que é perfeita para cada um. Nossa iluminação está garantida, pois esse é o nosso inevitável destino. Tudo o que seu coração expressou algum dia se manifestará, então relaxe durante esta longa jornada de evolução. A iluminação é o relaxamento total e absoluto. Estamos participando agora de uma magnífica experiência coletiva de despertares individuais, então relaxe na perfeição que você é.

Alguns de nós já estão despertos. Alguns estão começando a despertar agora, tentando entender o que está acontecendo e como lidar com toda essa situação. E alguns ainda estão dormindo. No mundo externo que existe ao seu redor, os sistemas, padrões e estruturas da atual civilização planetária estão mudando e se dissolvendo, tornando insustentáveis muitas das antigas maneiras de agir e lidar com regras que já não funcionam mais. Muitas pessoas estão sentindo a energia de ascensão e as mudanças de vibração de uma maneira forte e desafiante - notando grandes mudanças em sua saúde, seus relacionamentos, trabalho, valores, situação financeira, e sem saber ao certo com o que podem contar.

Tudo está se transformando cada vez mais rápido e as coisas que costumavam fazer sentido de repente já não fazem mais.

Tenha cuidado pois se você der permissão ao medo para criar a sua percepção, aí poderá haver muito o que temer. Mas sendo orientados pela energia do amor, a perspectiva é de incríveis e positivas experiências de crescimento, de contínuas expansões e amplas aberturas, de alegres experiências felizes e sustentáveis. Estamos despertando para as muitas novas possibilidades de nosso enorme potencial. Nosso planeta e todos nós estamos numa grande aventura para elevar nossa vibração e expandir nossa consciência. Estamos caminhando para uma maior frequência além das ilusões da dualidade e da exploração de energias de baixa vibração.

A medida em que percebemos e abraçamos a nossa verdadeira identidade divina, eterna e multi-dimensional, de que somos seres de abundante poder emanando de dentro destas formas humanas, sabendo que estamos aqui apenas tendo uma breve experiência humana, criamos assim um novo paradigma e percepção da realidade. Estamos aprendendo a procurar dentro de nós pela nossa inata sabedoria e a sentir a União que é a real causa da realidade.

Física e emocionalmente, estamos sendo esticados, cravados, avigorados, alterados e refeitos para conseguir sustentar mais luz, uma vibração mais elevada dentro de nossos corpos, de cada uma de nossas células. Estamos nos metamorfoseando! A frequência de ressonância essencial de nosso planeta e de toda a galáxia está se elevando, e nós pulsamos com esta frequência e estamos sendo gradativamente iniciados na energia da ascensão.

Sim! Vamos eventualmente encontrar uns aos outros - descobrindo a profunda direção deste fundamento da União e uma espontânea crença no poder e na abundância do amor. Percebemos a magnífica importância de nossas próprias vidas, a deliciosa variedade e diversidade de pessoas e formas de vida ao nosso redor, e começamos a entender que a sagrada busca de nossa alma nos leva a harmonia da esplêndida dança do Tudo O Que É.

Estamos profundamente tomados por esta nova e ampliada consciência e ela toca toda a nossa vida, convergindo nosso foco para reaprendermos a viver, a ser, a estar, a nos tornar o novo ser humano que vive em sua plena consciência e seu conhecimento divino.

Aqui encontramos com outros que não acham todas essas palavras estranhas, que sabem que alguma coisa muito grande está de fato acontecendo, pessoas que estão também despertando, sendo chamadas para suas percepções internas e acreditando em sua própria natureza divina. Sabemos que vivemos no mundo que moldamos e criamos a partir de nossos pensamentos, crenças e intenções, e que estamos muito contentes em nos unir para revisar, melhorar e reinventar este mundo para que ele possa refletir o que estamos relembrando a respeito da natureza de nossa realidade. Juntos estamos explorando o que significa viver em níveis de consciência mais altos. Lembre-se de que tudo é energia - você inclusive - e de que existem muitas habilidades inatas que começarão a despertar naturalmente a medida em que nossa energia se eleva.

E para onde isso tudo nos leva? É muito fácil saber qual é o plano divino! O plano divino é exatamente aquilo que está acontecendo agora. Há uma linda expansão de consciência acontecendo agora e é através desta expansão de consciência que transformamos vidas ordinárias em vidas divinas. Através da expansão de nossa confiança.

Ser humano e estar aqui agora é realmente um enorme presente, uma dádiva única, pois estamos modificando profundamente a civilização da qual participamos neste momento, caminhando em direção a uma nova civilização que consiga ser abundante e sustentável. E também divertida, porque se não for divertida, não será sustentável. Então relaxe e divirta-se. Feliz 2012!



O website de Meredith Murphy é Expect Wonderful

Om Namah Shivaya!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Rumo a um novo sistema econômico mundial

Acabei de ler e ouvir, agora mesmo, as últimas informações a respeito de uma estória que vem se desenrolando a muitos meses e que envolvem duas pessoas das quais tenho acompanhado o trabalho nestes últimos 4 anos, David Wilcock e Benjamin Fulford.

Essa é uma estória que conta a possibilidade de um novo sistema econômico mundial, com aspectos que muitas vezes soam simplesmente inacreditáveis. Mas toda vez que tenho essa sensação de incredulidade, entro no website dos arquitetos e engenheiros para a verdade do 11 de setembro e assisto novamente a aquelas torres caindo, com as claras e visíveis explosões das bombas de demolição antes do rápido e simétrico colapso. E aquela imagem me relembra que a transição planetária é real. Que muitas das coisas que antes soavam inacreditáveis são reais.

Este é um capítulo de uma estória real de pessoas que se depararam com uma fantástica transição de um planeta, um capítulo onde uma delas perde o fôlego. E foi isso o que mais me tocou aqui, a perda do fôlego de um grande personagem. Porque eu também perdi o fôlego quando me deparei com esta transição e acredito que todas as pessoas que já passaram para o vijnana da transição, todos aqueles que sentem a necessidade de ler e acompanhar blogs como o meu, devem também ter perdido o fôlego em algum momento.

Esta é a estória:

A ação judicial que pode terminar a atual tirania financeira


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ocupe o seu coração, depois vá ocupar Wall Street


Quem você está sendo neste momento? Antes de sair no mundo e ocupar as ruas e os edifícios, vamos primeiro definir quem nós estamos sendo neste momento. Este é o lembrete que ofereço as pessoas do movimento Occupy Wall Street, que se espalhou pelo mundo todo no último dia 15. É muito fácil de se perder pelo mundo da constante estimulação externa de hoje em dia, que como o livro Um Curso em Milagres ensina, é baseado num sistema de pensamento que é uma mentira. O pensamento deste mundo é baseado no medo e na separação, daí o porque muitos de nós sentimo-nos profundamente afetados pela limitação e pela solidão... o que eu chamo de uma versão do 'eu não sou suficiente'. Mas quando sabemos que esse sistema de pensamento é uma mentira, o que é então real?

Para ocupar o mundo fora de nós com amor, precisamos primeiro ocupar e cultivar amorosamente o nosso mundo interior: ocupe o seu coração. Toda a experiência do mundo exterior é tingida com o pensamento que atualmente reside em nossa mente. Se pensamentos de limitação correm soltos na nossa mente, sem dúvida vamos provar a limitação em nossas experiências. Se pensamentos de impotência ocupam a nossa mente, sem dúvida vamos provar a opressão em nosso trabalho, nossas relações pessoais e em nossa família, porque dessa maneira estamos procurando e esperando por isso. Quando mudamos nossa ocupação interna para o amor, e fazemos um sério compromisso com essa linha de pensamento, experimentamos o amor em nosso mundo exterior.

Uma vez que assumimos o compromisso de ocupar nosso coração, aí então podemos ocupar Wall Street. Conscientes de que tudo é uma oportunidade para se amar mais, nós nos tornamos a mudança. Neste estado de ser, as divergências, os medos e insultos já não têm qualquer poder sobre a nossa capacidade de manter nossas crenças. Deste lugar, temos a capacidade de mudar o mundo. Quando nos comprometemos a ser o amor, não é nenhuma surpresa que então experimentamos novos desafios. É como se o universo estivesse dizendo: você pode ser o amor agora? E que tal agora? E agora então?

O movimento Occupy Wall Street é um playground para milagres. Neste movimento, as multidões se reúnem por causa de suas abundantes semelhanças e paixão por um mundo melhor. Porém mesmo com estas fortes semelhanças, as pessoas ainda estão experimentando jeitos de discordar, maneiras de permanecer separadas. E isso é perfeito! Porque o movimento é um campo de treinamento para se queimar a idéia da separação. 

A queima do velho sistema de pensamento ocorre quando passamos de "Eles estão tão errados, não tem idéia do que estão dizendo, eu tenho idéias melhores!" para "Onde estou fazendo-os errados? Eu escolho compreender com amor. Posso não concordar com o que ouço, mas concordo que quando escuto com amor, estou comunicando a mensagem mais importante de todas: eu te enxergo, eu te ouço, eu te amo, obrigado." Quando nos sentimos ouvidos, vistos e amados, podemos então estender esse amor aos outros. Vamos todos nos tornar parte da transição para a comunicação baseada no amor, ao ouvir e amar todos aqueles com quem nos deparamos.

Qual é a sua ocupação? No nível da ação no drama humano, pode ser a de um empresário, ator, médico, professor, dançarino ou cozinheiro. Mas no nível de conteúdo - do coração e da presença de Deus - nossa verdadeira ocupação deve ser a presença do amor. A consciência de sua ocupação real vai inevitavelmente lhe trazer paz, alegria, amor e sim, abundância financeira. Ocupe o seu coração, e então vá ocupar o mundo. Ocupe o seu coração, e então vá ocupar Wall Street.

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O texto acima é uma tradução e adaptação minha de um artigo escrito por Ryan Weiss no website The Daily Love

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amada Mãe Índia - Primeira Parte


Chove torrencialmente.

Fortes rajadas vermelhas cobrem os céus e batem violentamente contra as janelas do avião causando ferozes vívidos redemoinhos de pétalas que se expandem cheios e contraem-se ardentes ao despencarem admiravelmente sobre todo o Canal da Mancha enquanto intermináveis toneladas de rosas transbordam ainda de cima das nuvens derramadas com amor pelas próprias e graciosas mãos da Mãe Divina que sorri tenramente se divertindo ao borrar todo o seu azul amarelo celeste matinal com os diversos tons escarlates da suave macia textura de suas pétalas e abençoar sua inusitada entusiástica esquadrilha da fumaça que desliza efetivamente por entre a tempestade desenhando antigos místicos precisos yantras sagrados pelos quatro cantos dos céus para a serena contínua contemplação e elevação espiritual de franceses ingleses e todos aqueles com olhos para enxergar suas amáveis bençãos.

Contemplo pela janela o incomensurável inebriante banho divino da atmosfera terrestre e os magníficos jatos púrpuros lançados pelas turbinas do nosso avião que estraçalham as rosas a nossa frente em magnânimos devaneios metálicos causando um mínimo de turbulência e uma colossal cachoeira de extasiantes encantos acolhedores que despenca em tremenda ressonância atrás de nós a medida que entramos na França. Que espetáculo! Que glória! Um profundo AUM transcedental reverbera infindável de nossas turbinas causando uma sublime e virótica sensação de entrega cura e paz que intoxica a todos os passageiros levando-os a se debruçarem sobre os assentos próximos as janelas absortos inteiramente na deliciosa contemplação por detrás dos vidros da inefável vigorosa formação dos belos deslumbrantes yantras devocionais. Que esplendor!



Atravesso a Europa admirando a chuva e cantando meu mantra num doce e imprecindível louvor melódico criado pela resplandecente manifestação da Mãe Divina em incessantes ondas de amor, anjos e pétalas, que acompanham nosso vôo e alcançam até a entrada sobre o Oriente Médio, manchando levemente o amarelo deserto de vermelho.

Ainda sinto e bebo do êxtase divino enquanto o piloto realiza suas manobras de pouso após termos atravessado o Mar da Arábia e peço novamente a benção de meus mestres neste novo toque do sagrado solo indiano, ao chegar do ocidente pela segunda vez.

Porém agora não permaneço em Mumbai, que já anseia e aguarda o carisma de algum outro novo mestre de vedanta, que consiga também consagrar o charme de seus bairros e de sua população. Faço apenas uma rápida conexão chegando em breve ao quente e ensolarado estado comunista de Kerala. Subo num grande e confortável taxi que me leva em mais uma hora para a estação de trem de Ernakulam e somente então, quando saio da plasticidade e da desinfecção dos ambientes ar-condicionados, é que finalmente chego na Índia.

Ah, a Índia...

Entro na estação e dirijo-me a uma caótica fila de cidadãos desesperados que abanam suas vestimentas, mascam e cospem suas emoções contra as paredes sujas, rabiscadas na enrolada e divertida lingua local. Em segundos sou encochado para dentro da fila masculina e começo a ser indagado de onde venho. O senhor que demanda minha resposta é velho, bigodudo e suado, carrega os vestígios de seu último almoço em sua camisa aberta e desbotada.

Moças e idosas se espremem na fila ao lado, agitadas e ansiosas para chegar logo ao guichê, sempre atentas e cheias de opinião sobre a permanente confusão adiante. Esqueço-me de encochar também o senhor a minha frente e devido a minha distração estrangeira logo um outro cidadão toma o meu lugar na fila, deixando-me um homem para trás. Ele ainda se vira para mim e sorri sua cara de pau descarada. Aqui uma fila é definida pelo espaço físico e não pelas pessoas, como estamos acostumados no ocidente. Se houver qualquer espaço vazio entre você e a pessoa a sua frente, certamente alguém logo o ocupará.

Aguardo por muito tempo, observando coloridas senhoras gordas de classe média e pseudo-executivos pseudo-engomados furarem a fila a todo minuto. A lei local regula que você pode furar a fila, se comprar o bilhete mais caro. Mas nunca há ninguém para averiguar quem furou e quem comprou qual bilhete. Todos ganham anonimato na permanente confusão perante os guichês.

Dois orgulhosos soldados carregando enormes fuzis marcham para dentro do salão. Um deles mantém um olhar duro que escaneia todo o ambiente minuciosamente, impondo uma sensação de ordem e seriedade que chama a atenção de todos. Mas só para que seu parceiro chegue aos guiches sem ser percebido! Eles também estão furando a fila. Ou senão, agindo segundo algum estranho protocolo das forças armadas...

Sinto minhas calças sendo puxadas e percebo um pedinte aos meus pés. Seu corpo não o permite ficar em pé. Vendo-me presenteá-lo com moedas, duas crianças em seus uniformes escolares xadrez também correm em minha direção, mas elas querem canetas. Da onde surgiu esse hábito das crianças indianas, de sempre nos pedir canetas?

Sou atingido pelo olhar ardente de um sadhu de longo turbante e cajado. Sai fogo de seus olhos. Seu ascetiscismo transborda de seus póros cobertos de cinzas, de suas vestimentas laranjas e encardidas. Uma mistura de sagrado e profano difícil de ser desvendada. Abro um sorriso para quebrar meu dúbio e cansado julgamento de sua presença. Sorrio também minha falta de canetas para as crianças, minha paciência recém-chegada para os homens a minha frente, minha curiosa estrangeirice para as mulheres da fila ao lado, minha esperança de um mundo sem fuzís para o soldado ainda sem bilhete. Todos me sorriem de volta. Ninguém resiste a estampada inocência ocidental por estas terras. E continuamos atirando nossos sorrisos uns nos outros até que, incapazes de suprimir nossa tola insistência infantil, derretemos todos no salão da estação, num coletivo reconhecimento da imprestável doçura humana.

Ah, a Índia...

Como é possivel descrever a sensação de se estar aqui? Como seria possível descrever a doçura desses olhares, o sabor de seus thalis ou o aroma de seus darshans?

Para descrever a Índia corretamente, meu blog deveria ter um fundo todo laranja com letras verde brilhantes, e intensas imagens de poderosos avatares e animais desconhecidos, piscando alternadamente em roxo e amarelo fosforescentes. As palavras deveriam estar em diferentes tamanhos e se sobrepor umas as outras, formando frases de difícil leitura e sentido vago. Algumas palavras só apareceriam na luz negra.

Os parágrafos deveriam se contradizer, apresentado idéias claramente incompatíveis, porém cada um deles proclamaria, com suprema autoridade, estar relatando a verdade absoluta! Os artigos deveriam estar fora de ordem em relação ao índice, e deveriam ter múltiplos títulos – três ou quatro cada – apesar de nenhum deles ter qualquer relação com o conteúdo de seus textos.

O índice deveria apresentar artigos que ainda não foram escritos, ou encaminhá-lo imediatamente para algum website de receitas de curry de jaca, que travaria seu computador tão seriamente – e por tantas horas, que a única solução para conter o desespero seria preparar o tal do curry, para conferir se a receita é boa mesmo. Porém ao desligar o fogão, você perceberia que seu computador voltaria misteriosamente a funcionar, mostrando o artigo desejado. Esse mistério nunca seria esclarecido. E o curry ficaria ótimo.

O computador todo deveria exalar um aroma de sândalo, cânfora, plástico queimado e esterco de vaca. Deveria sair fumaça das caixas de som, enquanto também ecoariam uma profunda e milenar reza em sânscrito, misturada com buzinas de caminhões e gritos de macacos. Com intervalos para propaganda política. E gritos não identificados. Uma cinza de sabor agradável e propriedades medicinais deveria se materializar entre as teclas. E as vezes, surgiria a ponta de um colar de rudrakshas na saída USB, que ao ser puxada causaria espasmos de algorítmos por toda a tela – e também na sua coluna.

Na página do meu perfil deveria constar múltiplos doutorados de universidades especiosas, e cargos honorários em grandes instituições filantrópicas que atuam com imbatível veemência em regiões de grande carência humanitária e guerra civil – regiões que só poderiam ser localizadas em mapas da época de Alexandre, o Grande. Haveria um botão implorando por doações financeiras, que não funcionaria.

Alguns artigos estariam escritos de cabeça para baixo. Ao virar a tela para tentar lê-los, você descobriria que seu computador começaria a sintonizar os místicos ensinamentos de algum antigo iogue que ainda estão ruminando pelo éter, assim como corretas previsões do tempo local. Ao praticar esses ensinamentos com determinação e fé, evitando os dias de chuva e umidade excessivas, o iogue logo iria se materializar ao seu lado e sussurrar em seu ouvido algum poderoso mantra em sânscrito, fazendo você experimentar o seu primeiro vislumbre da iluminação.

A experiência toda deveria ser extremamente irritante, mas possuir um enorme encanto que fizesse você voltar para ela de novo e de novo.

Finalmente, estas palavras deveriam criar a ilusão de que você entende a respeito do que está lendo. Apenas para que desligasse o computador satisfeito, e ao se dirigir a cozinha, descobrir que não consegue mais achá-la. Que sua identidade foi quebrada tão profundamente, que até mesmo esta memória básica se dissolveu. E sua única opção é continuar andando sem ela, redescobrindo os cômodos da casa a partir de um olhar completamente novo. É nesse novo andar que estão suas chances de transformação e evolução interior – a contínua e verdadeira benção desse subcontinente para toda a humanidade.

A Índia inevitavelmente te leva em direção ao desconhecido, reciclando-o contínuamente, ao dilacerar o conhecimento que acreditávamos ter.

Foi justamente Alexandre o Grande que no ano 374 Kali (326 antes de Cristo), alcançou o norte do país com o seu poderoso exército. Na Grécia antiga já se falava muito sobre a sabedoria dos ascéticos nús do oriente. E o interesse de Alexandre não estava somente nas terras, mas também na conquista desta sabedoria. Ele planejava persuadir um dos iogues a acompanhá-lo de volta a Pérsia, num dos primeiros relatos de tentativa de exportação de um guru indiano.

Ao ser levado até o local onde se reuniam, Alexandre encontrou-os sentados nús sob o sol, em pedras tão quentes que queimavam os pés de seus soldados. Ao apresentar-se através de seu tradutor como um grande imperador de berço divino, disposto a presenteá-los generosamente em troca de sua sabedoria, com as dádivas que só um imperador pode oferecer, um dos ascéticos logo lhe respondeu:

‘Se você, meu caro, é o filho de Deus, então eu também o sou. Eu não quero nada de você, pois o que tenho já me basta. Você não possui nada que eu possa desejar, e não tenho receio de estar excluso de suas bençãos. Eu noto inclusive, que os homens que você lidera não ganham nenhum benefício de suas marchas através de tantas terras e mares, e que estas marchas não terão um fim. A Índia, com os frutos de sua terra nas variadas estações, é o suficiente para a minha vida; e quando eu morrer, vou apenas me livrar desta morada imprópria.’

Alexandre não se ofendeu com a resposta do ascético, já conhecia e admirava a atitude dos mestres. Uma vez na Grécia, ao oferecer humildemente seus serviços ao filósofo Diógenes que se banhava debaixo do sol matinal, este apenas lhe requisitou: ‘Por favor saia da frente do meu sol!’

O imperador questionou-lhes então sobre os objetivos e benefícios de suas práticas ascéticas, obtendo a explicação de um outro iogue:

‘Rei Alexandre, todo homem só conquista de verdade as terras que estão debaixo de seus próprios pés. Você é apenas um ser humano como o resto de nós, a diferença é que você está sempre agitado, em ações que não beneficiam a ninguém, marchando através de terras tão distantes da sua, tornando-se um pesado fardo para si mesmo e para os outros. Oh Deus! Você em breve estará morto, e então terá conquistado somente a terra necessária para cobrir o seu próprio corpo.’

Quando o exército grego se revoltou, recusando-se a marchar adiante, Alexandre finalmente convenceu um dos iogues a acompanhá-lo de volta a Pérsia. Seu nome era Kalyana.

Mas logo após sua chegada, Kalyana se desculpou por não conseguir se adaptar ao modo de vida local e pediu para que uma pira funerária fosse construída e decorada com flores. Quando ficou pronta, caminhou para ela sendo escoltado por uma verdadeira procissão: homens em cavalos, elefantes e soldados armados.

Subiu na pira, sentou-se em posição de lótus e pediu para que fosse acesa, não apresentando nenhum sinal de desconforto enquanto seu corpo era queimado vivo pelas chamas, diante de todo o incrédulo e silencioso exército grego. Suas últimas palavras a Alexandre foram ‘Nos vemos na Babilônia’. No ano seguinte, foi justamente lá onde o imperador faleceu.

A Índia de hoje é tão fantástica e desconcertante quanto no tempo de Alexandre. E é depois de uma fantástica e desconcertante viagem de trem que eu chego a Amritapuri, para passar um longo período aos pés de lótus de Mata Amritanandamayi Devi, a Amma.

Se é quase impossível descrever aqui a experiência física de se estar na Índia, é então totalmente impossível descrever a experiência espiritual, de se conviver com um mestre que alcançou a consciência de União.

Chegar a esta percepção é o objetivo da aventura humana, e o íntimo convívio com um mestre é o mais bonito e profundo estágio dessa aventura.

A presença de um guru é uma dádiva única, absolutamente necessária para nos guiar em direção a esta meta. Apesar do vento soprar por todo o deserto, é apenas debaixo das palmeiras de um oásis que conseguimos sentir o seu frescor. Da mesma maneira, o ar está em toda parte num dia quente de verão, mas existe uma sensação muito especial quando nos colocamos na frente de um ventilador. Essa é a sensação de se estar na presença de um mestre, sob sua orientação.

Quando estamos tentando chegar em um lugar que ainda não conhecemos, precisamos de orientação para aprender como chegar lá. Tentar alcançar um lugar desconhecido sem ninguém para nos mostrar o caminho é como pescar tirando toda a água do oceano. Até para aprendermos as ciências do mundo, um professor é necessário. Como poderíamos então aprender sozinhos a ciência espiritual, a mais sutíl de todas elas?

Nestes tempos de transição planetária, muitas pessoas afirmam que um guru externo não é mais necessário, que seremos guiados pelo nosso próprio guru interno, ou que nós mesmos somos o nosso guru. Mas isso é o mesmo que dizer que uma semente de maçã e uma macieira carregada de suculentas maçãs são iguais. Enquanto a macieira pode fornecer sombra, abrigo e saciar a fome de muitas pessoas, a semente tem ainda que passar por uma série de estágios para que possa se tornar uma árvore e também dar frutos, recebendo o devido cuidado durante esse processo de desenvolvimento, sem o qual corre-se o risco até de ser destruída por animais ou condições climáticas.

Há uma diferença notável entre os aprendizes espirituais que estão sob a orientação de um mestre e aqueles que tentam trilhar o caminho sozinhos.

O conceito de que vamos atingir uma nova era nunca antes vivida pela humanidade, onde inéditas regras espirituais entrariam agora em vigor, também tem sua base no obsoleto paradigma de tempo representado pela reta. Porém o tempo é circular, e apesar de estarmos prestes a dar um enorme passo para um nível de consciência mais elevado, estamos ainda apenas repetindo padrões de existência que certamente já ocorreram antes.

Amma confirma que o tempo é circular, explicando que não só o ser humano sofre mudanças durante os diferentes estágios do ciclo, mas toda a natureza também muda. Durante a Kali Yuga nada cresce em abundância. Não importa o quanto se trabalhe na lavoura, as colheitas serão sempre insuficientes e de má qualidade. A última Kali Yuga durou de 700 AC a 1700 DC, e nossa história confirma que foi um período de grande escassez e fome.

Na atual Dwapara Yuga pode-se obter colheitas fartas, mas é necessário muito trabalho e cuidado nas plantações, é preciso plantar, fertilizar, irrigar, remover o mato e as ervas daninhas, proteger a lavoura contra pragas e doenças, para então finalmente colher. Na Treta Yuga é necessário apenas a metade desse trabalho, e na Satya Yuga, o homem precisa apenas jogar a semente na terra e voltar para a colheita, que será sempre boa e abundante.

A estatura do homem também muda durante as Yugas, acompanhando o progresso e declínio de sua consciência. Mais uma vez nossa história confirma isso, durante a última Kali Yuga o ser humano atingiu sua menor estatura, que pode ser facilmente observada em castelos e armaduras da Idade Média; desde então estamos crescendo novamente. Lembro-me da primeira vez em que visitei museus e vilas medievais na Europa, fiquei impressionado com o tamanho das portas e vestimentas que pareciam feitas para crianças.

O mais interessante é que se estudarmos a Grécia e o Egito antigos, observaremos uma estatura semelhante a atual. Esse fator explica também os vestígios de uma antiga civilização de gigantes que está sendo repetidamente descoberta por arqueólogos e historiadores: trata-se dos vestígios da própria humanidade durante a última Satya Yuga, a Era Dourada, quando atingimos nossa maior estatura.

Em seu recente livro Approaching Chaos, a historiadora inglesa Lucy Wyatt revela muitas provas de como o Egito Antigo apresentou um gradual declínio de sua civilização durante os muitos séculos de sua existência. Os textos e artefatos mais sofisticados são os mais antigos. Uma ótima entrevista com Lucy está disponível no website do CMN:

Lucy Wyatt on Approaching Chaos

O arqueólogo Graham Hancock também mostra com seu trabalho que as pirâmides maias e a sabedoria de seu calendário são bem mais antigos do que se calculou, datam da mesma época do Egito. Quando a América presenciou a infortuna chegada dos europeus a 500 anos atrás, eram povos também primitivos que habitavam essas regiões, e realizavam sacrifícios humanos sobre pirâmides que não construíram, mas que já estavam lá há muitos séculos. Uma excelente entrevista feita por David Wilcock pode ser acompanhada aqui:

Setting History Free: Graham Hancock & David Wilcock

A consciência e a civilização humana – e também toda a natureza – estavam em declínio até o ano 1200 Kali (500 depois de Cristo). Esta é uma importante chave na compreensão da atual transição planetária.

Os grandes mestres frequentemente usam estórias, metáforas e parábolas para passarem seus ensinamentos, enfatizando assim conceitos para os quais as palavras só conseguem apontar. Vivendo em Amritapuri aos pés de Amma, um dos eventos mais bonitos são os satsangs a beira do mar. Amma se senta na praia e todo o ashram senta-se a sua volta, formando um grande e bonito círculo branco sobre a areia, para ouvir suas palavras e cantar músicas devocionais enquanto o sol se põe no mar da Arábia.

Esta é a estória que eu mais gosto:

‘Durante uma conferência sobre religião e espiritualidade, formava-se um consenso entre os palestrantes sobre a necessidade e importancia das práticas espirituais. Porém quando o último palestrante discursou, ele calou a todos os outros. Em seu discurso, ele poderosamente sintetizou: “Todos nós somos Brahman, parte da mesma consciência universal que permeia tudo o que há, não é verdade? Assim sendo, obviamente já somos aquilo que buscamos atingir e não há nenhuma necessidade de se fazer práticas espirituais!”

Ninguém conseguiu rebater sua fundamentada conclusão e logo após seu discurso o jantar de encerramento foi anunciado. Havia muita comida deliciosa sendo servida para todos, e ele sentou-se na mesa muito orgulhoso de si mesmo. Porém ao ser servido, o garçon não pôs em seu prato nenhuma das delícias locais, mas apenas três pedaços de papel onde se liam as palavras ‘Arroz’, ‘Vegetais’ e ‘Salada’.

Ele imediatamente se indignou: “O que você pensa que está fazendo, você quer me insultar?”

Mas o garçon explicou com calma: “De maneira alguma, senhor. É que eu estava presente no seu discurso esta noite, antes do jantar. Ouvi você declarar que você é Brahman, parte da consciência universal que permeia tudo o que há. E que apenas esse pensamento já lhe é suficiente, não há nenhuma necessidade de se fazer práticas espirituais. Então eu logicamente concluí que você concordaria, que também lhe é suficiente apenas pensar na comida para satisfazer sua fome, obviamente não há nenhuma necessidade de comer! ” ’


Essa pequena estória exemplifica muito bem a diferença entre o conhecimento e a experiência. Esse tem sido um de meus maiores aprendizados aqui na Índia, a diferença entre ajnâna, jnâna e vijnâna. Ignorância, conhecimento e experiência.

Ajnâna é nunca ter ouvido falar sobre Porto Alegre. Jnâna é ver um filme ou ler um livro a respeito da cidade. E vijnâna é andar pelas suas ruas, sentir os seus cheiros e enxergar suas cores.

Assim como o jnâna destrói o ajnâna, o vijnâna também destrói o jnâna. E é o vijnâna, a razão de nossos corpos e o nosso propósito aqui.

Existe uma transição tão bonita acontecendo neste planeta... e há cada vez mais informações disponíveis sobre ela, em livros, documentários e websites. Mas toda essa informação não levará ninguém ao vijnâna dessa transição.

Para atingir o vijnâna de Porto Alegre é preciso fazer a escolha de viajar até lá. É preciso escolher sair de casa e ir até a rodoviária comprar a passagem de ônibus, em algum momento do dia. É preciso escolher deixar de curtir a praia em Florianópolis naquele final de semana, para se estar em Porto Alegre. Se você não fizer essa escolha, você nunca a conhecerá de fato. Mas isso não significa que ela não existe.

Da mesma maneira, é através de suas escolhas que você conseguirá atingir o vijnâna desta transição. Se essas escolhas não forem feitas, você nunca a conhecerá de fato. Mas isso não significa que ela não está acontecendo.

Essa escolha envolve fé. Que garantia você tem de que, ao subir no ônibus em Florianópolis, você realmente chegará em Porto Alegre? Existe alguma garantia divina que assegura plenamente que o ônibus não vai sofrer nenhum acidente, que seu coração não vai parar de bater no meio do caminho? Qual é a prova que você tem, de que você realmente vai chegar? Existe uma boa dose de fé na nossa vida diária. Nós a usamos nas mais variadas atividades e conquistas mundanas. Você acredita que Porto Alegre está lá, apesar de nunca tê-la visto antes, e você acredita que vai chegar a salvo. É por isso que sobe no ônibus, e que tem calma no momento de subir.

Use esta mesma fé, com a mesma calma, para escolher um novo paradigma para a humanidade. Porque o atual está destruindo o planeta em que vivemos e deixando as pessoas extremamente doentes.

O último palestrante da conferência diz a verdade, nós somos sim parte de uma mesma consciência universal que permeia tudo o que há. De fato, o mundo é perfeito exatamente como é, cada grão de areia e cada gota de água está no lugar certo. Mas enquanto não atingimos o vijnâna destas palavras, enquanto elas forem apenas jnâna – palavras, defendê-las para justificar nossa falta de esforço e atitude só nos tornará hipócritas e preguiçosos, atrasando nosso progresso espiritual. Até atingirmos seu vijnâna, essas palavras não são verdade.

Os diferentes estágios de nossa percepção causam a nossa verdade. E a verdadeira destruição acontecendo hoje no planeta não está sendo feita por terremotos ou tsunamis, mas pelo passo sendo dado em direção ao próximo estágio, que está destruindo uma verdade global – um conceito coletivo de realidade, construído pelo mero jnâna adquirido e estabelecido sem o seu devido vijnâna.



Um importante aspecto para a assimilação desse imenso escopo de informações vindo a tona atualmente é um dos ingredientes de um dos melhores sistemas para a evolução espiritual humana, a yoga. Este ingrediente é a devoção.

A devoção tem um sabor único, experimentá-lo abre e nutre nossos corações. Ela traz alegria, conforto, beleza e paz a um caminho que pode se tornar árido com conhecimento demasiado.

Amma recomenda um equilibrio entre os dois, ensinando que o conhecimento sem devoção é muito seco, e a devoção sem conhecimento é muito superficial. Que a devoção é um dos mais bonitos caminhos para o conhecimento. E um dos fins do conhecimento é a devoção. Devoção a Deus, nosso criador. Amar a Deus, por pura devoção.

A devoção também nos desperta de uma ilusão na qual é muito fácil mergulhar com o tremendo teor de tantas novas informações, a de que estamos vivendo uma insana e descontrolada experiência, a de que ninguém está no comando da situação.

Deus está no comando.

Isso é importante, eu vou repetir:

Deus está no comando.

Nenhum de nós nasceu para proteger a floresta amazônica, cuidar dos animais em extinção, instalar um governo justo ou nem mesmo salvar todo o planeta Terra. O propósito de nosso nascimento é buscar e conhecer nosso Criador. Esse é o nosso dever. Proteger a floresta amazônica, cuidar dos animais em extinção, instalar um governo justo e salvar o planeta é nosso dharma. Dharma é aquilo que não somos obrigados a fazer, mas fazemos porque é o certo. Porque é o caminho. Acontece naturalmente, quando resolvemos cumprir nosso dever primordial.

E é após muitas semanas vivendo com dharma e devoção, empurrando e arrastando lentamente minhas verdades para seus respectivos vijnânas, ao beber da presença de uma linda e sábia santa que nos abençoa com a sua luz, que eu parto rumo a uma nova aventura, rumo a uma viagem que será uma das mais intensas e bonitas da minha vida: uma sagrada e surpreendente peregrinação espiritual.

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Para um maior vislumbre da Índia, recomendo dois recentes documentários produzidos pela BBC:

BBC Ganges

BBC Story of India

O documentário Ganges é simplesmente deslumbrante. O Story of India ainda baseia sua pesquisa no antigo paradigma de tempo reto, e consequentemente está cheio de informações históricas equivocadas. Mas ainda assim eu o recomendo, por apresentar atrás de seu discurso histórico uma Índia genuina e contemporanea, exatamente como ela é. E talvez ainda demore um pouco até a BBC produzir documentários no paradigma de tempo circular...

Para um maior vislumbre da espiritualidade indiana, sugiro estes dois livros:

Autobiografia de um Iogue

Living with the Himalayan Masters

Mas cuidado, eles podem mudar a sua vida.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quem construiu a lua?


É noite. Caminho sendo deliciosamente empurrado pelo vento ao percorrer a longa extensão do inabalável corredor do décimo segundo andar do Bloco E, em silêncio e sem luz, pisando com o cuidado de não tropeçar em algum chinelo jogado, tocando levemente as paredes de ambos os lados, aqui e ali. É tarde. Pelo menos para um ashram, já passa das 11. Está quente e úmido. Faz 7 meses que tem estado quente e úmido. As monções ainda não abaixaram a temperatura, mesmo agora no meio de junho.

Chego ao balcão. O vento varre as minhas costas e agora também o meu peito, vindo ainda canalizado do longo corredor atrás de mim e também diretamente do mar a minha frente, trazendo o delicioso quebrar das ondas contra a dispersa parede de pedras e também um pouco de maresia. Adoro as monções. É a minha estação predileta aqui no sul da Índia. O céu adquire uma dramaticidade constante, um deleite para os olhos.

As nuvens correm frenéticas pelo céu numa louca maratona sem propósito, ora pingando suas lágrimas escassas ora despencando dúzias de piscinas olímpicas sobre os humanos, em violentas rajadas entre intervalos de sol rachante ou estrelas pálidas, obrigando a todos aqui embaixo a correr pra lá e pra cá, de abrigo a abrigo, por sobre as poças, por sob as árvores, por entre as desabrigadas ruas das vilas da costa de Kerala. Adoro esse corre-corre.

Nuvens cobrem agora quase todo o céu, deslizando ininterruptamente em círculos umas sobre as outras, se batendo e acotovelando numa fotográfica competição negra e molhada. Sinto a intensidade por toda parte. Faz alguns dias que a intensidade tem estado mais intensa. Tenho passado dias tão intensos, tenho tantas coisas para fazer, que acabei de decidir não fazer mais nada. Sento decidido a me envolver novamente nesta inquieta e perfurada manta de algodão encharcada de nanquim, madrugada adentro.

Aqui não existem ainda chemtrails, as nuvens são grandes, fofas e rechonchudas como na década de oitenta. Propícias a formação de zoológicos absurdos. Logo vejo um urso. Patas gigantescas. Ele se contorce lentamente, torce o abdomem, abre e estica os braços e abraça um... abraça um... um... coala! Nossa, é mesmo um coala! Quase do tamanho do urso. Eles se abraçam cada vez mais apertado e o coala começa a entrar na barriga do urso. Talvez para fugir de... para fugir de uma... de uma... uma girafa! Nossa, é mesmo uma girafa que se forma acima do mar! Mas porque um coala teria que fugir de uma girafa? Girafas são vegetarianas!

Desconheço também, o motivo da intensidade me levar constantemente para o balcão. Tenho tentado escrever nestas últimas semanas, entender como a mente humana sofre a abrupta queda entre a Treta e a Dwapara Yuga. Como uma civilização planetária de considerável elevação espiritual a capacidade mental – muito maiores do que as atuais! – é drasticamente suprimida a uma enorme ignorância e crescente amnésia. Afinal milagres são definidos pela incapacidade de sua compreensão, todos eles – e são muitos! – possuem explicações metafísicas ao variado alcance das variadas manifestações de consciência existentes através do universo.

Porém a intensidade contamina o fluxo e caminha meu corpo através do escuro corredor rumo a mesma visita noturna ao zoológico, noite após noite. O que ela quer que eu veja? Uma alpaca? Hoje ainda é quarta, dia de dormir cedo, não posso sentar aqui a toa deliciando-me com os possantes ventos das monções. Há uma transição a ser entendida. E saboreada. Preciso concentrar-me na dramaticidade da humanidade, não posso passar as madrugadas deduzindo girafas galoparem em direção a urso-coalas. Ou na verdade, em direção a um... em direção a um... a um... chimpanzé! Nossa, é mesmo um chimpanzé!

Mas recebi a sagrada instrução de observar. Então permaneço e observo.

Observo o chimpanzé se dissolver lentamente dentro de um estranho tipo de serpente japonesa. Julgo ser japonesa pelos olhos puxados. Pequenas explosões eróticas contaminam o corpo da serpente e de sua cauda surge uma... surge uma... surge... uma lua em eclipse! Nossa, é mesmo uma lua em eclipse! Esqueci que hoje é dia de eclipse! Passei o dia evitando humanos em silêncio – adoro dias em que evito humanos em silêncio – mergulhado nas ondas da intensidade e esqueci que hoje é dia de eclipse.

Acabou de começar. Mando todos os animais embora, rumo a bem aventurança de algum parque nacional na África e contemplo o eclipse. A linha de penumbra se move da esquerda para a direita, com extrema rapidez. Nossa, o tempo está passando realmente muito rápido! Lembro que quando era criança eu precisava inventar alguma atividade entre as observações de uma lua em eclipse. Agora a linha se move tão rápido que dá tranquilamente para acompanhar todo o progresso da penumbra a olho nú. Vamos realmente experimentar a absurda velocidade de tempo descrita por alguns magos que perceberam a transição a tempos atrás!

Rapidamente a lua é encoberta em sua totalidade e então surge a mágica:




101 minutos de pura magia. Hipnotizo-me com a beleza escarlate. Fixo o olhar atento e consciente. Que não pisca ou vira pro lado. Que se encanta e se entrega. Aos lúcidos devaneios de um infindável louvor. Que reside e concede. A viajem a um plano mais elevado, mais absoluto, mais incomensurável. Incomensuravelmente espontâneo.

E dessa espontaneidade absoluta de repente nasce uma pergunta dentro de mim:

Lua, você é artificial?

Fico um pouco impressionado com a minha pergunta. Mas não o bastante. Mantenho o olhar.

Mas ela não responde nem o retribui.

Sinto então uma nova onda de espontaneidade cobrir a pergunta com um metódico e cativante encanto de cor límpida, fazendo-a nascer novamente de minha essência:

Lua, você é artificial?

Ela permanece ainda em silêncio.

Mas não o bastante. Sinto o desabrochar de uma leve comoção. Há um ligeiro movimento. Outorgo então a inefável pergunta uma outra vez, em um novo respirar com mais amor:

Lua, você é artificial?

E ela finalmente não resiste.

Vermelha, desmancha sua calada vagabundagem sorrindo uma rápida chuva de estrelas cadentes. E joga sua inesgotável malícia para cima de mim:

O que é ser artificial?

Construída pelos homens. Ou por seres alienígenas. Por alguma forma de vida inteligente, ora bolas o que é ser artificial...

Ela pisca um rápido brilho entre suas manchas.

E qual seria a outra opção?

A outra opção? Ser natural ué, construída diretamente por Deus. Através daquilo que chamamos de natureza, o conjunto de forças que operam no universo ausentes de propósito ou discernimento.

Ela ri. O coelho sacode pra cima e pra baixo dentro da circunferência escarlate.

Tudo é construído com propósito e discernimento. E toda a construção de Deus é feita através de formas de vida inteligente – a lua me responde.

Sua resposta me atinge plena e impetuosamente. E explode dentro de mim.

Puxa vida! Isso significa que sim?!

Minha repentina excitação me restitui aos embriagados devaneios de costume. A lua torna-se novamente calada e imutável.

Estou incrédulo. Movimento-me sem propósito. A lua é artificial!

Mas de onde ela veio? E quem a construiu?

Idéias e pensamentos velozes e ferozes germinam e definham inteiros e mutilados contaminando e expalhando arrepios e vertigens em meu corpo e em minha mente. As horas passam.

Ao amanhecer, tenho a calma memória de quando estava em Barcelona em novembro último, quando David Icke apresentou uma de suas notáveis palestras aos catalães. Mas não pude ir. E fiquei ainda de descobrir o teor de suas últimas apresentações. Esta pode ser a chave.

Surfo a internet. E abro o portal.



O teor das últimas palestras de David pode ser conferido em diferentes endereços, mas recomendo esta excelente entrevista do Conscious Media Network, que junto com o Project Camelot é um dos melhores projetos de investigação dos mais variados e surpreendentes aspectos da nossa atual transição planetária.

Para assistir a entrevista, pode-se adquirir uma conta gratuita válida por 3 dias:

CMN 3 day free pass

E a entrevista está aqui: David Icke on The Moon Matrix

Alguns livros também esclarecem os mistérios sobre o nosso enigmático satélite e expõem as tantas tramanhas da agêNcia Americana de mentiraS espAciais em suas missões lunares:

Somebody Else Is On The Moon

Our Mysterious Spaceship Moon

Secrets Of Our Spaceship Moon

Who Built The Moon?

Ingo Swann, um dos principais nomes mundiais da Visão Remota, também relata evidências sobre diversas atividades lunares e projetos militares secretos em seu impressionante livro “Penetration – The Question of Extraterrestrial and Human Telepathy”, escrito em 1998. Não fosse pela longa e distinta carreira de Ingo como talvez o pai da Visão Remota, tendo oficialmente trabalhado para a inteligência do governo americano, bem como seu reconhecimento internacional como um instrutor e pesquisador renomado, talvez não haveria hesitação em descartar completamente as surpreendentes reivindicações de seu livro.

Em 1975, dois anos após a sonda espacial Pioneer revelar o alto nível de precisão das informações que Ingo obteve sobre Júpiter usando a VR, ele recebeu um telefonema de Washington, dizendo-lhe que era muito urgente que viesse a capital americana para encontrar um misterioso Sr. Axelrod. Isto o levou a uma cadeia de eventos que só podem ser descritos como fantásticos, incluindo uma longa jornada sob a estrita supervisão de dois guardas gêmeos, de helicóptero, carro e elevador, usando um capuz para garantir a completa incapacidade de reconhecimento do trajeto, que se conclui dentro de uma instalação subterrânea

Ali ele conhece pessoalmente o enigmático Sr. Axelrod, que está completamente familiarizado com o trabalho de Ingo no Stanford Research Institute, e que o convence, em troca de mil dólares por dia, a realizar uma missão de VR, uma missão tão secreta que não existe qualquer documentação sobre ela. A condição de seu emprego é que ele se comprometa a não revelar quaisquer detalhes de sua atribuição por pelo menos 10 anos, tendo sido assegurado que após esse tempo sua missão teria 'desaparecido'.

Após um período de tempo durante o qual Ingo e o Sr. Axelrod discutem os protocolos da missão, ela é então revelada: sua tarefa é ver remotamente uma secção específica da lua.

“Eu não tinha idéia do que o Sr. Axelrod queria. Talvez eles, quem quer que fossem, estavam procurando lugares apropriados para construir bases na lua. Talvez eles tinham perdido uma nave espacial secreta, ou algo nesse sentido.” (página 21)

Na sua sessão de VR inicial, Ingo percebe que suas coordenadas são para o outro lado da lua, que permanece sempre oculto. Ao chegar no local ele primeiro vê uma areia esbranquiçada marcada por um padrão que se repete, como marcas de pneus de um grande trator, e fica também confuso quando sente algo como uma atmosfera nesse lugar onde se encontra. Nesse ponto, ele é dado um outro conjunto de coordenadas e encontrando-se em uma região totalmente diferente, acredita que voltou sem querer para a Terra. Então pede desculpas, faz uma pausa e tenta novamente, usando as mesmas coordenadas de antes, só para descobrir que está vendo exatamente a mesma coisa:

“ 'Estou num lugar que é uma espécie de barranco, como em uma cratera, eu suponho. Há uma estranha névoa verde com uma luz de algum tipo. Porém além dessa luz todo o resto é escuro. Estou tentando entender de onde a luz está vindo....' Eu então parei novamente. Depois de um momento Axel me perguntou: 'Sim, e o que mais?' 'Bem, você não vai gostar disso, eu acho. Eu vejo, ou pelo menos acho que vejo, bem... algumas luzes reais ... tipo luzes de uma arena de futebol, acima da elevação, muitas delas... em cima de torres de algum tipo.'

Axel olhou para mim por um momento. Ele não estava sorrindo. 'Bem, eu vejo essas luzes! Mas como elas podem estar na lua? ' Nenhuma resposta veio de Axel. Eu continuei: 'Os russos já construíram uma base na lua ou algo parecido? É isso o que eu supostamente tenho que ver?' Mais uma vez não houve resposta. 'O quão alto são as torres de iluminação?', Axel me interrompeu... Engoli a seco novamente.

'Bom, se eu compará-las com alguma coisa que estou familiarizado, como por exemplo em Nova York, são quase tão altas quanto o prédio das Nações Unidas, que possui 39 andares.' Axel apertou os lábios, 'Você realmente vê isso então?'

'Eu então devo assumir que essas coisas realmente estão na Lua? Se assim for, isso é mais do que uma base lunar, não é Axel?' Novamente não houve resposta. Então eu continuei: 'Mas essa coisa é grande. A Nasa ou o programa espacial soviético já têm a capacidade de levar coisas tão grandes para a lua?'

Enquanto eu falava comigo mesmo sobre tudo isso, surgiu uma luz nos recessos de minha escuridão mental. De repente eu parei de falar. Olhei incrédulo para Axel. 'Você quer me dizer que eu devo assumir que este material NÃO É NOSSO! Não foi feito na Terra!' Axel ergueu suas sobrancelhas, tentando sorrir. 'Uma grande surpresa, não é?' ele disse.” (páginas 24-26)

E depois de muitas outras visitas lunares, Ingo Swann encontra torres, luzes, máquinas e estranhos edifícios:

“Um monte de cúpulas de vários tamanhos, coisas redondas como pequenos discos com janelas. Armazenados ao lado de crateras, as vezes em cavernas, as vezes em lugares que pareciam como hangares de aviação... Encontrei coisas como longos tubos, coisas como máquinas e tratores subindo e descendo colinas... obeliscos que não tinham nenhuma função aparente. Haviam grandes plataformas nas cúpulas, grandes estruturas em forma de cruz. Buracos sendo cavados nas paredes e no solo das crateras, tendo obviamente relação com algum tipo de mineração ou operações de transporte de terra.” ( página 30)

Finalmente, ele vê um tipo de entidades ou humanóides, ocupados trabalhando sob uma escura névoa verde-limão, que começam a falar excitadamente e a gesticular em sua direção.

“Imediatamente senti como se devesse fugir e me esconder, o que eu acho que fiz psiquicamente, pois perdi de vista essa imagem particular.

'Eu acho que eles me viram, Axel.'

Axel disse em uma voz calma e baixa, tão baixa que mal consegui ouvir no primeiro momento.

'Por favor saia rapidamente desse lugar.'

Meus olhos se arregalaram a medida que cheguei a compreensão:

'Você já sabe que eles são psíquicos, não é?'

Axel ergueu as sobrancelhas e deu um suspiro profundo. E nesse ponto, ele abruptamente fechou pastas.

'Acho que é melhor terminar o nosso trabalho aqui' ” (página 31)

O livro todo pode ser lido e também adquirido aqui:

Penetration – The Question of Extraterrestrial and Human Telepathy



Nestes tempos intensos em que estamos vivendo, a beira de uma fantástica transição planetária, tempos de enormes revelações espirituais e graves vazamentos nucleares, há muitos sins a serem assimilados:

Sim, o universo abunda com civilizações inteligentes e nós estamos rodeados por algumas delas. Sim, a nossa lua é um satélite artificial construído a muito tempo atrás e trazido para a órbita deste planeta, um satélite que abriga neste momento muitas bases e atividades de civilizações complexas. Sim, é provável que o nosso planeta esteja sob uma espécie de quarentena, sob o domínio de raças de aparente cunho involutivo. Sim, essas raças de aparente cunho involutivo são responsáveis pelo governo e modus operandi de nossa atual civilização.

E sim, sim, sim, quando percebemos o tamanho da prisão da qual esta realidade nos liberta, quando percebemos as extraordinárias verdades sobre a história da raça humana, quando percebemos a grandeza e as gloriosas possibilidades do universo em que vivemos e de nossos próprios corpos, quando percebemos o tamanho do bem que vem por detrás, atropelando magnificamente o ilusório e irrisório mal, quando percebemos a excelência e o esplendor das forças de luz que estão aqui para nos ajudar, da infindável e incomensurável força do amor, quando percebemos que Deus está aqui em pessoa, ao nosso lado, segurando a nossa mão e nos guiando neste alto passo que estamos prestes a dar, aí então conseguimos perceber o real significado da transição de 2012.