Foi ainda em McLeod Ganj que tomei conhecimento do menino Buda: um menino nepalês que aos 15 anos de idade - no dia 16 de maio de 2005 - parou de comer, beber e dormir, dando início a uma profunda meditação que ainda não acabou.
Que ainda não acabou.
Alguns meses após o começo de sua meditação, peregrinos budistas já visitavam o local e chamavam a atenção da mídia, que ainda em 2005, preencheu páginas de revistas e jornais de todo o mundo com a notícia. Em 2007, o Discovery Channel foi ao Nepal para filmar um documentário sobre o acontecimento.
A equipe do Discovery Channel permaneceu 15 dias no local e filmou o menino por 4 dias consecutivos - 96 horas ininterruptas, para provar que ele realmente não estava ingerindo água ou alimentos. Mais do que a ausência de qualquer ingestão, o documentário prova a ininterrupta meditação de Palden Dorje. Ele praticamente não se mexe durante toda a filmagem.
A primeira parte do documentário pode ser vista aqui, e as outras partes estão logo ao lado:
Documentário sobre menino Buda
E foi justamente quando tomei conhecimento a seu respeito em novembro de 2008, que Palden Dorje fez a última pausa em sua meditação para receber seus devotos e realizar sermões durante 12 dias nas florestas de Bara.
Senti um impulso de vê-lo imediatamente, mas o fluxo só me levaria ao Nepal 7 meses depois...
FLASHFORWARD -- INT. KATHMANDU - MANHÃ
Estou dentro de um ônibus que não se move. Fui informado de que a viagem de menos de 200 quilômetros seria feita em 7 horas, mas já se passaram quase duas e ainda não saímos de Kathmandu. Estamos parados numa rua imunda cheia de gente sem ter o que fazer - pra que eles acordam tão cedo? A fumaça dos churrasquinhos de gatos azarados junta-se a névoa matinal e pouco se vê do lado de fora. Desço a procura do motorista que sumiu a um tempão, deixando eu e alguns outros bóia-frias de molho dentro do ônibus.
Encontro-o ao redor da esquina, jogando uma espécie de gamão com amigos e bebendo chai. Ele sorri ao me ver e logo enche uma caneca para mim. Faz poucos dias que cheguei do sudeste asiático onde passei 3 meses e confesso que o cenário desolador do sub-continente indiano me afetou mais dessa vez do que da primeira.
Tento perguntar a que horas vamos sair e no mesmo instante, como é de costume, uns outros dez nepaleses juntam-se ao nosso redor para saberem se sou casado ou não, quantos irmãos eu tenho e o que eles fazem, e qual era o passatempo preferido da minha avó. Após 15 minutos de conversa, um deles finalmente me responde que temos que esperar o ônibus encher, senão a viagem acaba não valendo a pena pra companhia. Ninguém me disse isso na estação.

Volto para dentro do ônibus e agora com a luz do sol fica óbvio que ele nunca foi lavado, desde sua fabricação em 1948. O cheiro ruim não era de algo específico, mas vem do estofado intensamente rasgado das poltronas. Por ter saído tão cedo não tive tempo de tomar café da manhã e começo a ficar com fome - acabei de recusar o chai por não beber leite. Olho em volta mas as únicas opções são gatos azarados, refrigerantes e salgadinhos locais, com tantas descrições de preservativos e colorantes que a impressão não cabe na embalagem. Também não há data de validade e o vendedor, assim como o ônibus, não toma banho desde 1948.
Considero seriamente voltar para o hotel e desistir da viagem, afinal eu nem sei se vou conseguir realmente ver o menino Buda, que não é visto desde novembro de 2008. Ele agora costuma meditar dentro da floresta, em lugares desconhecidos por seus devotos, para que não se crie novamente um circo a sua volta.
Pego minha mochila e começo a procurar um taxi quando vejo o motorista subindo no ônibus com algumas daquelas pessoas que estavam a toa... parece que elas decidiram viajar, afinal de contas porque não, a gente não tá fazendo nada mesmo né...
Decido jejuar e o ônibus parte. A distância entre as cadeiras não é suficiente para minhas pernas e deito na última fileira de 5 poltronas, mas logo o ônibus enche e tenho que viajar empurrando os assentos da frente, que estão semi-soltos. A estrada é teoricamente a mais movimentada do Nepal, mas se eu não soubesse onde estou, poderia jurar que era a transamazônica depois de muitos anos de abandono. Passamos por 3 caminhões drasticamente recém tombados, o que a julgar pela reação dos outros passageiros, parece ser um evento diário.
O motorista faz 2 paradas desnecessárias onde conversa calmamente com os donos dos barzinhos enquanto todos os passageiros aguardam. No almoço, paramos num restaurante que oferece gatos assados com arroz frito, refrigerantes e salgadinhos locais. Cogito em comer só o arroz, mas mudo de idéia ao verificar a aparência do óleo. Continuo o jejum.
No começo da tarde paramos numa das vilas imundas e sou avisado que temos que mudar de ônibus. Fazem 9 horas desde a estação em Kathmandu e sou informado que ainda tenho 4 horas de viagem até o meu destino. Todos sobem num ônibus mais velho, mais sujo e mais lotado. Tento achar um taxi, mas não há nenhum. Ninguém fala inglês, há lixo em toda parte e parece que o ônibus está para sair. Ficar aqui é pior.

Fico de pé no começo do corredor, mas para minha surpresa muitas outras pessoas ainda sobem, algumas com grandes sacos pesados, empurrando-me ao meio do corredor e prensando-me entre 3 passageiros e um apoio de braço quebrado que ameaça entrar em meu estômago. Já estamos nas planícies onde as temperaturas permanecem acima dos 40 graus durante a maior parte do ano, dentro do ônibus imóvel debaixo do sol ardente ela começa a chegar aos 50 e todos suam como porcos. E o ônibus simplesmente não sai.
Muita poeira de outros ônibus indo e vindo entra pelas janelas e minha paciência que já estava um tanto frágil desaparece completamente. Sou obrigado a pisar sobre as pessoas em direção ao motorista, um rapaz esquálido que aparenta ter 15 anos, e indico que devemos partir. Ele parece me ofender em nepalês e solta uma gargalhada. Nenhum outro passageiro se manifesta, a sujeira e o aperto e a demora e a falta de respeito parece não incomodar mais ninguém. A vida sempre foi assim.
Inicio uma intensa conversa com Deus. Porque meu Pai? Porque é permitida tanta miséria e ignorância nesse mundo? Porque é permitido que pessoas vivam sem respeito e educação? Porque minha Mãe? Porque cada vez mais pessoas comem lixo industrializado, bebem água reciclada e morta e respiram sujeira? Porque é permitida tamanha degradação ambiental e humana? Porque é permitida tanta desgraça?
O ônibus sai mas pára depois de alguns quilômetros. Um enorme caminhão tombado bloqueia a estrada. Homens gritam uns com os outros perto do acidente, mas ninguém parece apresentar uma solução. Oferecem-me um cigarro - eu nego e minha revolta torna-se tão nítida que ninguém mais vem conversar comigo, um fato inédito por essas bandas.
Após muito tempo a estrada é liberada e eu chego ao meu destino. Quinze horas após minha saída. Duzentos quilômetros em quinze horas, espremido e envolto de lixo e ignorância, numa estrada que espalha degradação humana e ambiental por todas as partes.

Acho uma espelunca cheia de mosquitos para me hospedar e saio a procura de comida. O único restaurante local serve miojo frito com ketchup. O chão não é varrido a semanas e aqui também há quartos para hóspedes - eu me pergunto que tipo de pessoas geralmente se hospedam aqui? No mesmo instante um dos hóspedes desce as escadas e se apresenta. Ele tem um mestrado em administração e está atendendo uma conferência neste fim de mundo ao lado desta BR esquecida por Deus. Fico incrédulo.
Ando ao lado da BR a procura de alguma fruta e nem ligo para a intensa fumaça negra expelida pela fila de caminhões misturada com a densa poeira - não posso ficar mais sujo do que já estou. Acho uma barraca com bananas e lá se encontra um outro cidadão orgulhoso do seu MBA, participante também da tal conferência. Essas pessoas parecem não notar que estão comendo, bebendo e respirando lixo em troca de um papel na parede que ensina-as como destruir o planeta mais rápido.
Retorno para meu quarto e a luz acaba. Esqueci do apagão que tem todos os dias no Nepal e nem lembro onde fica o banheiro, se antes ou depois do galinheiro.
Porque meu Pai?! Porque minha Mãe?!
Neste instante começo a ser sutilmente invadido por uma energia que me traz conforto e paz. Sento em meditação. Minha mente se acalma e a energia cresce, transformando-se lentamente num êxtase que começa a mudar minha percepção do mundo ao meu redor. Até que o quarto torna-se pequeno para esta experiência - quero sentir o resto do mundo.
Saio do hotel e toda a vila está as escuras. Acostumados ao apagão, todos cumprem seus deveres capitalistas normalmente, a luz de velas e lampiões. Após a janta a vila parece estar particularmente cheia, num descontraído momento social que precede o natural toque de recolher para a dimensão dos sonhos. Sem a luz dos postes, a poeira e a fumaça iluminadas somente pelos faróis dos caminhões tornam-se extremamente cinematográficas.
Já não contenho o sorriso que logo não tem para onde mais aumentar. Ando em volta das casas e das vendas e sou analisado cuidadosamente por todos - o que faz aqui esse ocidental perdido e maravilhado? Uns poucos tentam puxar conversa, mas eu não consigo parar de caminhar. Não é apenas a luz que me remete ao cinema, começo a perceber as pessoas a minha volta como personagens do melhor filme que já assisti. Toda a vila torna-se um cenário muito bem montado, de um profissionalismo extremo, parece real!
Não contenho a gargalhada. Quantos atores, quantos figurantes, que direção e fotografia espetaculares! Os efeitos sonoros são estupendos! A maquiagem certamente merece ser premiada, todos realmente se parecem imundos e miseráveis! Realmente parece que os motoristas dos caminhões estão atrasados e estressados com suas entregas, como se não fossem parar logo mais assim que o diretor gritar corta!
Caminho sobre a pista e começo a dançar entre os caminhões que continuam ainda mais preocupados em achar os pedaços de asfalto aqui e ali. Gargalho ininterruptamente e pondero se estou longe o suficiente do boom para não atrapalhar o som. Tudo bem, as buzinas tornaram-se loucas! E o diretor mandou todos apontarem e me olharem agora com ar de incredulidade! Aliás nunca vi atores tão focados e dedicados, assim em bando! Abro os braços em êxtase e contemplo o teto do estúdio, todo pintado de negro com pontinhos luminosos. E sinto então o olhar carinhoso de meu Pai e o leve cafuné de minha Mãe:
Porque nada disso é real - Deus me responde.

Na manhã seguinte o dono do restaurante, informado sobre minha intenção em ver o menino Buda, se oferece para me levar ao local onde ele costumava meditar, a uns 20 kilômetros da vila. Mas ao chegar lá somos um grupo de sete - cinco outros nepaleses que encontramos no caminho ao pedir informações decidem nos acompanhar, querem saber quem eu sou e se vou conseguir vê-lo.
Somos recebidos com muita frieza por duas meninas vestidas como monges, numa rústica cabana no meio da floresta, na junção de dois enormes rios secos, a uns 7 kilômetros do asfalto. Elas parecem informar não ser possível ver Palden Dorje, que está meditando em algum lugar desconhecido dentro da floresta. Elas não falam uma palavra de inglês e eu fico totalmente a mercê dos meus 6 tradutores, que também tem um inglês extremamente fraco, estão visivelmente descontentes com seus salários de tradutores e mais propensos a satisfazer suas próprias vontades.
Elas logo continuam a juntar lenha e começam a ignorar as perguntas que fazemos, piorando a química entre todos nós. Ameaço investigar a floresta por conta própria, mas sou escoltado por meus 6 guarda costas e as meninas logo impedem nosso avanço, afirmando que não devemos tentar interromper a meditação de seu mestre. Isso deixa claro que Palden Dorje está perto e eu percebo que tenho que esperar e criar as circunstâncias certas. Começo então a andar despretensiosamente ao redor da cabana, crio uma admiração autista pelas árvores e corto completamente a comunicação com meus tradutores. Eles logo se esquecem de mim e discutem as fofocas da vila por toda a manhã.
Chega a hora do almoço e, como eu previa, decidem que devemos todos aceitar nossa derrota e partir. Comunico que vou ficar. Todos me olham torto, explicam que não vou ter como voltar pra vila, que as meninas não me querem aqui, que não posso ficar sozinho e sentam-se novamente com mais fofocas. Mais uma hora se passa e diante de minha firme decisão, seus estômagos os convencem a me abandonar. Eles partem.
As meninas voltam com uma cesta de cogumelos frescos e ao perceberem que meus tradutores partiram me deixando aqui sozinho - sem nenhum meio de locomoção e incomunicável - soltam uma risada. Durante todo o preparo da comida apenas trocamos olhares e risadas, logo percebo que ganhei a simpatia delas. A comida fica pronta e elas fazem um prato para mim: arroz com cogumelos e folhas, colhidos na floresta esta manhã - o melhor prato que comi em toda minha estadia no Nepal.

Após o almoço elas sinalizam que vão chamar alguém para mim. Logo chega Rakesh, um rapaz indiano de 20 anos que transborda vida e alegria. Ele recentemente largou sua família e seus estudos universitários em Varanasi para ser o primeiro devoto estrangeiro a se estabelecer aqui. Caminhamos de mãos dadas ao estilo indiano dentro do leito do rio enquanto Rakesh transborda a estória de suas primeiras visitas e de como tomou a decisão de dedicar sua vida a este mestre.
Clarifico meu interesse nesta visita e ele me explica que Palden Dorje está meditando por 6 anos, dos quais acabou de completar quatro. É possível vê-lo, mas preciso ser interrogado antes pelo comitê, o mesmo que é mostrado no documentário do Discovery Channel. Sou logo recebido por cinco membros do comitê e minha primeira impressão é um tanto parecida com a deixada pelo documentário, devido a suas caras fechadas e seus olhares desconfiados.
Porém essa impressão logo prova-se completamente errônea - durante as próximas 3 horas em que passamos juntos tudo fica claro: trata-se apenas de um grupo de familiares e amigos de Palden Dorje, pessoas simples e honestas, traumatizadas com a reação de um mundo que não conseguem compreender. Como compreender um mundo que afirma seguir os ensinamentos de um grande mestre, mas que ao ser defrontado por um menino que apresenta as mesmas características de tal mestre, reage com hipocrisia e negacionismo?
Como compreender um governo que deliberadamente nega a esta comunidade uma infraestrutura básica - água e luz, requisitados a 4 anos? Que além de não oferecer nenhuma ajuda, ainda confiscou recentemente todo o dinheiro juntado pelo comitê? Como compreender uma mídia que ao testemunhar um acontecimento extraordinário e genuíno, ainda relata uma mensagem de impostura e descrença?
Após serem convencidos de minhas boas intenções - de relatar a minha verdade - e de que meus relatos serão numa língua que ninguém nunca ouviu falar a respeito por aqui, o português (por não quererem atrair mais visitantes neste momento), minha audiência é concedida. Rakesh é encarregado de me levar até Palden Dorje.
Caminhamos por uma trilha estreita até chegarmos a um outro abrigo onde um monge de meia idade medita. Voluntários posicionam-se em pontos estratégicos pela área, para evitar a barulhenta reação de algum humano desavisado. Animais selvagens não são uma preocupação, o brilho de Palden Dorje os mantém afastados ou torna-os dóceis e mansos.
Tiramos os sapatos e caminhamos mais 15 minutos em silêncio. De repente a floresta começa a refletir uma sutil coloração pelicular, começo a ser invadido por um intenso brilho e a perceber o cenário ao meu redor perder a sua realidade. Abaixo minha cabeça e fecho os olhos, abrindo-os brevemente apenas para seguir os passos de Rakesh. Concentro-me dentro de mim.
Andamos em volta de uma imensa árvore e sentamos. Respiro fundo, ajeito o corpo na terra e abro os olhos. A minha frente, Palden Dorje medita sobre uma base de concreto. O mundo lá fora parece ser o mesmo filme de ontem a noite. Fecho os olhos.

Feche os olhos. Ao fechar nossos olhos, nossa forma física desaparece para nós. Nosso corpo torna-se invisível - como podemos ainda ter certeza de que existimos? Conseguimos sentir o peso do nosso corpo, e temos ainda nossa audição, tato, olfato e paladar. Porém se tentarmos definir quem somos sem a visão de nossos corpos, provavelmente afirmaremos que somos uma espécie de núcleo invisível ao redor do qual pensamentos estão girando. Agora abra os olhos. Quem é você, o corpo físico identificado pela visão ou o ser interior do qual você estava consciente agora mesmo de olhos fechados?
O invisível ser interior é o real! Sem ele, o corpo visível perde seu significado. Sem o ser invisível, o corpo é apenas um amontoado de carne e ossos, de pouca importância e pouco valor. O ser invisível é o que realmente importa. Mas estranhamente, são poucas as pessoas que tentam descobrir o que é esse ser invisível, a maioria está tão concentrada no corpo que enxergam através da visão, tão preocupadas com sua aparência física e sempre correndo pra cá e pra lá para satisfazer as necessidades de tal corpo, que nunca conseguem compreender que o ser interior é o real!
O que torna um sonho irreal? O momento no qual ele passa. Quando acordamos e paramos de nos identificar com o sonho, nos conscientizamos de que era apenas um sonho, ele se torna então irreal. Da mesma forma, mais cedo ou mais tarde você vai ser requisitado a abandonar este corpo físico que possui agora, você vai ver ele passar. E no momento em que isso acontecer, todo esse mundo físico que você agora jura ser real, também se tornará irreal.
O corpo físico é o que tem dores nas costas, na barriga, na cabeça, eternos problemas aqui e ali, está sempre chorando por suas necessidades e sofrendo deterioração com o passar dos anos. Nós estamos tão identificados com ele que pensamos que somos esse corpo físico, mas não somos! Dentro deste corpo físico existe um outro, um corpo de luz. Este corpo está livre de dores e doenças, livre da morte! E é este corpo de luz quem na verdade nós somos. No momento de sair do corpo físico vamos todos saber disso - porque não saber agora?
Nós todos estamos apenas sonhando que temos um corpo físico, nós somos na verdade consciência e luz. De diferentes maneiras é possível descobrir que além do subconsciente e da consciência física, existe uma outra: a superconsciência. Esta é a consciência do nosso corpo de luz. Uma vez que descobrirmos e cultivarmos esta superconsciência, iremos entender que o corpo físico é apenas uma projeção - o mundo físico é apenas uma projeção. E então conseguiremos fazer qualquer coisa com nosso corpo físico. Era isso que Jesus sabia quando andou sobre as águas. É isso que muitos mestres de luz encarnados hoje sabem, eles conseguem materializar e desmaterializar seus corpos conscientemente. Eles conseguem viajar por mundos astrais e viver mais intensamente, enquanto seus corpos físicos estão aparentemente imóveis.
Nosso corpo de luz não apenas possui os mesmos cinco sentidos que nosso corpo físico, mas eles são mais apurados! Nós podemos enxergar, ouvir e sentir os cheiros, gostos e toques no mundo astral melhor do que no mundo físico! Na verdade ainda encarnados aqui, estamos usando de fato nossos cinco sentidos astrais (você já deve ter experienciado quando o corpo físico reage da mesma maneira ao toque ou paladar vindos de dentro de um sonho), mas eles estão mais apagados devido a interface do corpo físico.
As imagens de uma tela de cinema nos contam uma estória e causam emoções - reações em nossos corpos, mas elas são irreais, apenas uma projeção de luz. Da mesma maneira todo o mundo físico é irreal, apenas uma projeção de luz. É mais difícil de perceber isso porque ele está suprindo todos os nossos cinco sentidos e não apenas a audição e a visão, como no cinema. Imagine um filme onde todos nossos cinco sentidos são preenchidos em sua totalidade: bem vindos ao que chamamos de realidade.
O grande mestre Paramahansa Yogananda escreveu ainda na década de 40:
"A grande dificuldade deste filme cinematográfico que chamamos de vida é que tudo o que é irreal parece real, e todas as realidades parecem irreais."
Devemos nos conscientizar da natureza irreal da vida, não em razão de negações ou fugas, mas para nos trazer mais leveza e alegria, para aos poucos eliminar o sofrimento. Não devemos negar ou tentar fugir deste sonho, ele faz parte e influencia a nossa vida real. Existe um motivo pelo qual estamos aqui e entender a natureza do mundo físico nos aproximará da compreensão deste motivo.
Quando tornamos um sonho lúcido, eliminamos a possibilidade de um pesadelo. Quando acordamos dentro de um sonho, de repente aquele monstro horrendo que estava nos perseguindo se torna inofensivo, podemos parar de fugir e ao invés, brincar com as enormes garras dele. Conseguimos eliminar o medo. Nos tornamos infinitamente livres, podemos voar, atravessar paredes e criar o cenário a nossa volta.
Devemos nos conscientizar da natureza irreal da vida para entender que o mundo material não é uma causa, mas um efeito. E o intuito deste efeito não é simplesmente nos enganar, nos iludir. É para que possamos aprender a olhar através dele. Para que cada um de nós procure além, para que façamos a pergunta: Quem criou isso tudo? Quem me criou? Quem sou eu?
Converse com Deus. Mas não como um desconhecido ou um pedinte, converse com Ele como o filho ou a filha que você é. Ou com Ela, se você preferir. Todo o reconhecimento e a reverência a Deus em nosso mundo podem ser divididos em duas origens: medo ou amor. Escolha o amor.
Não conseguimos amar algo que não conhecemos. Por isso muitas pessoas acabam escolhendo o medo e reverenciando uma idéia vendida por alguma instituição pseudo-religiosa, por desconhecerem-No. Mas é justamente este o motivo da existência deste nosso ilusório mundo material, nos conceder o conhecimento de Deus. Procure! Procure por toda parte, debaixo de cada carro, no meio de cada pista de dança, em todas as praias e montanhas. Não desista nunca. Se sua busca for sincera, você O encontrará. Posso dar uma dica: a razão pela qual é difícil enxergar Deus é porque Ele está muito próximo de você. Você consegue enxergar seu próprio rosto sem a ajuda de um espelho?
Rakesh me traz de volta ao filme ao tocar meu ombro, e indica que devemos voltar. Como mencionei, Palden Dorje está meditando por 6 anos, um tempo que decidiu ter para si mesmo. Por isso hoje as visitas são raras e curtas.
Na verdade, eu não ouvi dele se ele é Maitreya Buddha ou não. Mas se não for, quem é então este menino que apresenta desde os 15 anos de idade as mesmas características de um dos mais reverenciados mestres da recente história humana?